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DESMISTIFICAR & INCLUIR
DEFCON poder
DEFCON Poder
Neste tópico pretendemos divulgar as perspetivas relativamente à inclusão aos olhos de pessoas com deficiência, cuidadores, profissionais, entre outros…
Aos meus olhos inclusão é a chance de ser igual num mundo de diferentes. Igual nos direitos, nos deveres, nas oportunidades, diferente no ser, nos sentidos, na personalidade, nas capacidades (sempre ouvi dizer que “não existem 2 pessoas iguais” e a verdade é que em 31 anos de vida esta frase continua de pé). A inclusão permite-me viver em pleno, integrada na sociedade, e não sobreviver à margem de tudo.
Autor: Rafaela Cruz
A inclusão ainda é uma palavra desconhecida aos olhos de muita gente. Frequentemente, ainda hoje, as pessoas quando se deparam com alguém que circula numa cadeira de rodas ou que apresenta qualquer outra deficiência ou incapacidade, de imediato o que lhes assola a mente, e muitas vezes transparece na sua face, e não poucas vezes verbalizam, é “coitadinho”! Mas “coitadinho” porquê? Cada um de nós tem limitações, é certo, mas o que realmente importa, e o que devia ser visível aos olhos de quem nos observa, é como as procuramos ultrapassar. Olhar e ver o que conseguimos fazer com as potencialidades que temos. Perceber que, tal como qualquer outra pessoa, queremos tentar aperfeiçoá-las pois, na vida, estamos sempre a aprender.
A inclusão tem a ver com conseguir atingir objetivos tal como qualquer outro cidadão. Fazer o mesmo que eles e com eles ainda que de maneira um pouco diferente. No fim? No fim, o resultado será o mesmo! Já todos viram a imagem, neste contexto da inclusão/equidade, das três caixas. Três pessoas que tentam ver algo através de uma cerca, mas a cerca é demasiado alta para alguns, pelo que não conseguem ver nada. Para tentar resolver o problema foram-lhes dadas caixas, todas com o mesmo tamanho. Porque as pessoas têm alturas diferentes o problema persiste. A pessoa mais baixa continua sem conseguir ver, ou seja, não lhe é permitido atingir o objetivo, ver o que está para lá da cerca. Precisamos de ajustar nesta situação, como nas diferentes circunstâncias que a vida nos proporciona, os meios aos contextos de cada um, físicos ou outros. Se fornecermos à pessoa mais alta, uma caixa mais baixa, à pessoa de estatura média, uma caixa média e à pessoa mais pequena uma caixa com maior altura, resolvemos o problema, ou seja, proporcionamos as condições necessárias para que os objetivos sejam atingidos. E isto é equidade. A inclusão acontece pois estão todos a fazer o mesmo, juntos, mas com adaptações de acordo com as necessidades de cada um. E as necessidades são diferentes de pessoa para pessoa, pois cada um é único, com caraterísticas diferentes, logo não podemos cair no erro de pensar em adaptações “universais”. O resultado seria tão mau quanto não incluir, de todo.
A igualdade de oportunidades está muito ligada, de certa maneira, à mentalidade das pessoas. Algumas pessoas poderão ser levadas a pensar que alguém que “está numa cadeira de rodas” ou “escreve num computador com os olhos” não consegue fazer nada, não consegue produzir trabalho, o que, na maior parte dos casos, não é verdade. Como é óbvio, o que desconhecemos assusta. Este princípio também se aplica na área da empregabilidade. A maioria dos “patrões” desconhece as capacidades de uma pessoa com uma qualquer incapacidade. Nunca viu o que uma pessoa com algum tipo de deficiência é capaz de fazer, não sabe que adaptações, às vezes bem simples, essa pessoa precisará para desempenhar determinada função com profissionalismo. Importa estar na disposição de ouvir para entender. No entanto, para minimizar esta dificuldade/barreira, também cabe a cada uma das pessoas com algum tipo de deficiência/incapacidade, desmistificar a deficiência, mostrando com clareza o que consegue fazer, enquanto profissional numa determinada área, e ajudar a encontrar soluções para que possam ser promovidas as adaptações, caso sejam necessárias.
No que concerne a barreiras que encontramos ao longo da nossa vida, algumas podem até vir de nós próprios. Podemos desconhecer o modo como poderá ser realizada determinada tarefa. Podemos, por isso, necessitar da ajuda de alguém, com mais experiência ou conhecimento, que devemos estar recetivos a aceitar. Podemos descobrir que a conseguimos realizar. Todos nós, em algum momento da nossa vida, precisamos de ajuda. Ajuda, não de caridade. Ninguém nasce ensinado, ninguém sabe tudo, pelo que podemos e devemos aprender com os outros, com a sua experiência, tirar partido da partilha. Isso não nos diminui, pelo contrário. Faz de nós pessoas dispostas a aprender algo de novo. E é isso que se pretende. Avançar, construir um caminho, o nosso.
As barreiras arquitetónicas são mais difíceis de ultrapassar. Em pleno século XXI, ainda persistem barreiras nos mais variados espaços. Barreiras que dificultam, ou por vezes impossibilitam, o acesso a determinado local. Um gesto tão simples quanto ir às compras, pode transformar-se num pesadelo. Muitas lojas têm uma disposição tal que, por vezes, não conseguimos passar, ou balcões demasiado altos para que consigamos ver os produtos aí expostos. Acessos interditos, pois só têm escadas, ou não conseguimos sequer passar nas portas, demasiado estreitas para quem circula com uma cadeira. Na rua não é mais fácil a circulação. Lembra “o mundo ao contrário”, carros nos passeios e pessoas a circular pela estrada. Os locais de estacionamento reservados a pessoas com mobilidade reduzida também são muito concorridos e não, apenas, por quem deles poderia usufruir. Se posso estacionar já aqui por que motivo vou andar mais vinte metros para chegar ao local pretendido. Parece ser este o pensamento reinante. A família e os amigos podem constituir-se como uma mais-valia, não só para ultrapassar as barreiras físicas, mas também as sociais e individuais. Permitir aos demais ver a interação, com normalidade, entre estes “dois grupos”, onde somos tratados como pessoas iguais, com os mesmos direitos e deveres, pode dar-lhes a possibilidade de repensar a conceção pejorativa do “coitadinho que não consegue fazer nada da vida”. Em termos individuais permite, perante tantas adversidades, mantermo-nos positivos, pois os amigos e familiares acreditam em nós e incentivam-nos a fazer mais e melhor.
A questão das acessibilidades será sempre, por ora, uma questão ligada à deficiência. Queiramos ou não, temos sempre planear as nossas saídas. O local pretendido é acessível? Conseguimos frequentar o espaço à vontade? Estas questões estão patentes e presentes para todos locais. Enquanto profissional, professora e apaixonada por História, entristece-me não poder desempenhar, com a mesma facilidade, as minhas funções. Não poder usufruir da possibilidade de visitar alguns dos belos museus que temos em Portugal. Pois não são acessíveis. Imaginemos que no contexto da minha atividade profissional, queira proporcionar uma visita de estudo aos meus alunos, enquadrada nas aprendizagens e facilitadora dessas aprendizagens. É vergonhoso não poder acompanhar os meus alunos na visita ou disfrutar de metade da visita, pois o andar superior apenas é acessível através de escadas. Esta vivência foi experienciada enquanto aluna e, desde então, nada ou muito pouco mudou. Não faz sentido enquanto cidadã portuguesa que sou, não poder usufruir da História e cultura do nosso país nem poder proporcionar a outros essa experiência.
Poderemos acrescentar, neste âmbito, o problema dos transportes públicos, que na maior parte das vezes nos estão vedados. Não têm acessibilidade de forma adequada, sem qualquer plataforma de acesso, estando, muitas vezes, à mercê da boa vontade de uma terceira pessoa. Ou, não menos relevante, ter de avisar com 48h de antecedência, da necessidade de utilizar esse transporte. Injusto, desumano e degradante, parecem palavras vagas para aplicar neste contexto. Não obstante o longo percurso que ainda temos a percorrer, fazer referência a algumas melhorias que se têm vindo a desenvolver em determinadas áreas, mas é necessário ir mais além.
A inclusão passa, efetivamente, por uma mudança generalizada de mentalidades. Em olhar para todos e para cada um. Para as fragilidades mas também para as potencialidades. Proporcionar a todos igualdade de oportunidades.
Juntos podemos contribuir para a mudança.
Autor: Rita Patrício
Chamo-me Vanessa Silva e desde os meus 35 anos, tive de lidar diariamente com dois temas muito pertinentes: Deficiência e Inclusão!
Por ser portadora de Paralisia Cerebral, senti na pele o que é ser “diferente dos outros”, quando ingressei no Ensino Preparatório e posteriormente, no Ensino Secundário, uma vez que no seio familiar, numa houve qualquer descriminação.
Nos intervalos das aulas, como não conseguia acompanhar os meus colegas nas corridas e brincadeiras e por ter receio que me dessem encontrões ao passarem por mim, não respeitando a minha falta de equilíbrio, era muitas vezes gozada e por isso, não me juntava a eles. Perguntava-me muitas vezes: Porquê eu? Porque é que tenho falta de equilíbrio? Porque é que não posso correr como eles?
No meu tempo, ainda não haviam muitas atividades que permitissem a sua realização por parte de todos, por isso, ainda não havia muita Inclusão e todas aquelas questões, guardava-as para mim e sofria em silêncio. Por exemplo, sempre fui dispensada das aulas de educação física e sabia que era devido às minhas incapacidades e pelo facto de não haver um esforço dos professores em elaborar exercícios que eu conseguisse fazer, juntamente com os meus colegas de turma.
Confesso que só fui descobrir o significado de “Inclusão”, quando entrei para a universidade, onde me licenciei em “Cinema, Televisão e Cinema Publicitário”. Mais adultos, os meus colegas de turma e os que deambulavam pelos corredores da universidade, respeitavam-me tal como sou e ao perceberem que era uma pessoa tímida, puxavam conversa comigo para me conhecerem melhor. Sentia-me aceite por todos. Para melhorar a minha locomoção, a maioria das minhas aulas era no rés-do-chão e quando eram no 1°andar, naquela Universidade não haviam elevadores, recebia a ajuda dos meus colegas para me dirigir até às salas de aula.
Posteriormente, ao concluir a minha licenciatura, deparei-me com uma realidade que não esperava enfrentar. Fui vítima de preconceito!
Na tentativa de arranjar emprego na minha área de licenciatura, enviei o meu currículo para várias produtoras, sem mencionar a minha patologia, pois no meu entender, tinha mais oportunidades. Através das minhas notas, fui chamada por uma grande produtora televisiva que disponibilizava uma vaga para o cargo de realizadora de uma série muito conhecida. Compareci à entrevista, acompanhada pelos meus pais, pois na altura, ainda não tinha carta de condução. Quando o produtor me chamou, foi notório no seu semblante que não esperava encontrar uma candidata com deficiência. A entrevista durou 5 minutos… acho que nem isso!
Na tentativa de fazer o que estava ao meu alcance para conseguir aquela oportunidade, pedi ajuda ao coordenador da minha licenciatura que ao falar com o produtor que me entrevistou, disse que eu não reunia capacidades físicas para estar numa régie televisiva. (Informo que quem trabalha numa régie, tem de estar sentado a controlar as câmaras de filmar e o trabalho dos atores.)
Se eu consegui ser a guionista e realizadora de uma curta-metragem, exibida em dois Festivais de Cinema, também reunia condições físicas para trabalhar numa régie.
Se o significado e a importância de “Inclusão” estivessem patentes naquela produtora, até podia não ter sido a escolhida para a vaga de emprego disponível, mas com toda a certeza, acreditava que a minha condição física não tinha sido predominante na seleção.
Sentindo-me profundamente desiludida, descriminada e excluída, optei por tentar um emprego na área de Administração e após frequentar formações, promovidas pelo IEFP – Instituto do Emprego e Formação Profissional, hoje, estou há 7 anos como Escriturária na APCAS – Associação de Paralisia Cerebral de Almada Seixal, uma entidade empregadora que sabe o verdadeiro significado de “Inclusão “.
Autor: Vanessa Silva
Este tema que tem e continuará a ter um peso imenso na nossa sociedade, ateimamos em não querer ver o que está à frente dos nossos olhos, que somos todos diferentes, mas todos iguais ao mesmo tempo, claro que cada ser terá as suas particularidades, as suas experiencias de vida, os seus problemas, mas…no fim somos todos iguais
Gostava que a inclusão passasse mais para a prática, evoluímos em tanta coisa e como temos vindo a observar e sentido na pele a inclusão também tem dado os seus passos na sociedade, mas ainda assim, passos muito pequenos, podemos fazer muito mais enquanto sociedade, podemos olhar para as pessoas de igual para igual, porque afinal aprendemos todos uns com os outros. Todos temos áreas em que temos mais capacidades, o mesmo acontece com as crianças, jovens e adultos com deficiência ou perturbações, claro está que sabemos que existem graus que possam limitar mais, mas ainda assim merecem ser vistos, merecem ser olhados de igual para igual.
Na minha visão a inclusão nem deveria ser um tema, deveria estar incutida em nós, deveríamos falar da inclusão como toda a naturalidade.
Por que motivo uma pessoa que precise de cadeira de rodas para se deslocar não consegue ter os passeios livres para circular, não consegue ter o seu dia-a-dia facilitado como nós os neurotípicos temos. Não acho nada justo este tipo de situações, o ser humano está cada vez mais egoísta e a pandemia só veio acentuar mais este egocentrismo em que nós seres humanos vivemos deveríamos observar, colocarmo-nos na pele do outro, penso que seriamos todos muito mais felizes enquanto pessoas.
Que possamos transmitir às crianças que o mundo é de todos sem exceção independentemente da sua crença religiosa, ideologias políticas ou raças, ter alguma perturbação, deficiência ou não.
Temos de lutar pela inclusão na sua plenitude, a mesma tem de acontecer e tem de ser visível, deixar de estar no papel e passar para a realidade.
Pois estes jovens só querem ter uma oportunidade e que acreditem neles pois são tão capazes como qualquer outro cidadão. Muitas vezes deixam de ser seres humanos passivos e sem voz ativa para liderar e gerir a sua própria vida tanto económica como no seu dia adia por falta de oportunidades.
Tenho dois filhos com perturbação do espectro do autismo, ate aqui sempre lutamos pela inclusão que nem sempre foi fácil, agora que a escola terminou temos outra luta a do mercado laboral. Estamos a começar, mas já com algumas dificuldades, pois ainda visa muito a ideia de que todos os jovens adultos com qualquer tipo de deficiência só tenham capacidade para fazer limpezas ou ajudantes cozinha, ignorando totalmente a vocação ou interesse desce jovem.
Sonho com um mundo onde olhamos para os outros com o coração, sim talvez seja demasiado fantasioso, mas quero acreditar que esse sonho se possa tornar realidade, temos que ter fé e acreditar.
“Lutar pelos direitos dos deficientes é uma forma de superar as nossas próprias deficiências”
J.F. Kennedy
Autor: Dina Caetano
Não queria falar de Inclusão…
A questão da inclusão nas escolas tem estado cada vez mais na ordem do dia. As sucessivas políticas educativas desenvolvidas neste século, particularmente as referentes à Educação Especial, trouxeram para o ensino regular crianças e jovens com incapacidades e problemáticas diversas. No entanto, contrariamente ao que seria de esperar, tal mudança não veio acompanhada de mais investimento na educação. Bem pelo contrário. O desinvestimento na educação tem sido particularmente evidente nos últimos anos, a diminuição do número de professores nas escolas um facto, o envelhecimento do corpo docente uma realidade.
Por outro lado, a implementação do regime juríco da Educação Inclusiva em 2018 não trouxe o necessário acréscimo de recursos, tal como se poderia inicialmente pensar. Quem está diariamente nas escolas constata a escassez de recursos organizacionais, materiais e humanos que comprometem o acompanhamento eficaz e a assistência contínua aos alunos. Contudo, verifica também a entrega, a solidariedade e o profissionalismo da esmagadora maioria dos docentes e técnicos de Educação Especial. E é com eles, com os alunos e respetivas famílias, assim como com a comunidade, que o caminho no sentido duma efetiva inclusão tem vindo a ser trilhado.
Neste contexto, a formação contínua de professores continua a ser fulcral para o desenvolvimento profissional dos docentes, contribuíndo para o alargamento de conhecimentos e competências e consequentemente para a implementação de novas práticas à luz da nova realidade. Uma vez que a formação inicial da maior parte dos professores não contemplou a promoção da Educação Inclusiva, seria essencial que houvesse por parte da tutela uma maior preocupação em criar programas de formação realmente eficazes nessa área. Porém, tal não se tem verificado. A oferta de formação de qualidade é pouco diversificada e recentemente muito focalizada nos últimos normativos legais. O princípio do direito à gratuitidade foi esquecido e as dispensas para formação são uma figura do passado. Saliente-se, por isso, a nível local, o trabalho desenvolvido pela APCAS que, entre muitos outros projectos, iniciativas e actividades que dinamiza, decidiu dar mais um contributo para a melhoria do trabalho nas escolas, envolvendo-se na formação de professores, através de diversas formações creditadas, não só em diferentes áreas do desporto adaptado como também na aprendizagem não formal para todos.
Questiono muitas vezes os adolescentes que estão a prestes a concluir mais uma etapa do seu percurso escolar se já se tinham dado conta do privilégio que tiveram ao frequentar uma escola com tantos jovens diferentes. Algumas diferenças são visíveis, outras nem por isso. A diversidade socioeconómica, cultural, étnica, religiosa, física e intelectual faz de muitas escolas públicas um microcosmos do que existe fora dela. É fundamental que os jovens sejam levados a pensar que todos temos diferentes capacidades e que devemos aceitar a diferença como algo inerente à condição humana.
Ter que falar de inclusão em pleno século XXI é constatar que a discriminação ainda é uma realidade e que há um longo percurso pela frente. Educar para a Diversidade, esse sim, deveria ser o grande lema actual. Significaria que tinhamos caminhado para uma sociedade geradora de jovens e adultos focados nas questões de cidadania, solidariedade e, acima de tudo, empatia.
Autor: Anabela Vicente (Professora do Ensino Básico)
Por decisão da autora, o presente texto não segue o novo Acordo Ortográfico.
INCLUIR PELA DIVERSIDADE E APRENDER COM A DIFERENÇA
O único limite que temos é o que as nossas visões preconcebidas nos impõem.
Se alguma aprendi na vida é o que mais importante de tudo é conseguirmos desafiar as nossas limitações que, sem nos apercebermos, nos autoimpusemos: pela educação, pela carga cultural, pela tradição, por uma noção defensiva de que “não vamos conseguir”.
A Vida é um somatório de êxitos e frustrações, sonhos e desilusões, vitórias e derrotas.
É tudo demasiado efémero para que alguém considere que já encontrou a chave para só ter o lado bom e escapar ao lado mau.
O que fica do que passa? A capacidade que tivermos de descobrir as nossas limitações. Para assim as podermos desafiar e ultrapassar.
Não há sucessos coletivos sem mérito individual. E só com esse constante desafiar individual dos nossos limites conseguimos, com Paixão, atingir novos céus, descobrir novos horizontes.
Muda-nos os parâmetros do que acreditávamos ser inevitável.
A Inclusão não se proclama: pratica-se. A Sociedade é diversidade e é diferença. Da soma de todos fazemos uma força maior.
E somar implica Incluir. Nunca excluir. Inclui todas as classes sociais, todas os níveis de educação escolar, todos os géneros, todas as etnias. E todas as deficiências, também.
O que é a deficiência? Pode uma característica singular determinar tudo o resto numa pessoa com múltiplas singularidades?
Onde termina a limitação e começa o preconceito?
O nosso foco não deve estar no estigma da “diferença”. Até porque esse conceito depende muito de onde quisermos colocar a “norma”. O ponto deve, isso sim, ser o da valorização da Diversidade.
O desafio, para todos nós, deve, por isso, ser: Incluir pela Diversidade e aprender com a diferença.
Nunca haverá uma resposta certa para este caminho nem um ponto de chegada onde todo este trabalho terminaria.
Há uma jornada diária feita de foco, propósito, conhecimento — e muito carinho, compreensão e Amor.
Se todos estivermos nisto juntos, todos sairemos a ganhar.
Autor: Rute Gomes