Revista Empregabilidade
DEFCON poder
DEFCON poder
Entrevista a Marta Guimarães Canário – Especializada em Audiovisuais e Media Interativos a desempenhar funções numa Empresa de Tecnologias e Relações Públicas
Como foi o seu percurso académico?
Estudei Ciências da Comunicação na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, especialização em Audiovisuais e Media Interativos.
Como tem sido o seu percurso laboral? E qual a sua situação profissional atual?
Aos 23 anos, ainda no último ano do curso, fui convidada para estagiar na Novabase, uma empresa de tecnologias, como assessora de imprensa. A empresa preparava a sua entrada na Bolsa Portuguesa, queria estreitar a relação que tinha com os media e precisava de alguém para fazer essa ponte. Fui à entrevista e fiquei colocada no mesmo dia. Estávamos em 1998 e, 20 anos depois, mantenho-me lá. Hoje já não somos 200 colaboradores mas sim 2000, e estamos espalhados pelo mundo com escritórios em diversos países. Os desafios são muito maiores, mas o prazer e a vontade de os enfrentar também.
Há cerca de 1 ano para cá, juntei-me à equipa de Relações Públicas da Revenge of the 90s, que organiza as festas mais incríveis de Portugal, e tenho-me divertido como nunca antes.
Como conseguiu alcançar o sucesso que tem hoje? Que competências são necessárias?
Para mim, falar de sucesso é muito mais do que falar da vertente profissional porque nós somos um todo. Naturalmente que tenho consciência de que alcancei um lugar de destaque na minha profissão mas, mais do que isto, sinto-me uma pessoa de sucesso por inteiro.
Sinto-me uma privilegiada, mas também tenho consciência de que lutei por cada coisa boa que alcancei e que tenho agarrado todas as oportunidades que me têm surgido. Sou trabalhadora, sou esforçada, nunca desisto e, especificamente em termos profissionais, tenho os conhecimentos técnicos necessários para desempenhar a minha função. Sou amiga de quem é meu amigo. Estou sempre atenta e disponível para ajudar os outros, tento ver as coisas para além do meu umbigo e do meu “quintal”.
Tenho uma família que me apoia em tudo, tenho os melhores amigos comigo, trabalho no que gosto e dou tudo em tudo o que me meto. E quem o faz, recebe muito mais em troca. A consequência natural disto, sim, é o sucesso.
Acredita que a sua limitação pode ser um fator de discriminação? De que maneira?
Não tenho qualquer evidência disso na minha vida, mas tenho consciência de que sim, que as limitações são frequentemente fatores de discriminação. Ainda vivemos num país preconceituoso, que rotula com muita facilidade, e que não aprendeu a tirar partido das diferenças de cada um. Nesse sentido, temos um enorme caminho para percorrer até chegar à igualdade.
Mas também sou da opinião de que, por vezes, a discriminação parte de nós próprios. Sinto-me absolutamente igual a qualquer outra pessoa, pelo que não admito qualquer tratamento diferenciado.
Considera que tem todas as condições necessárias para realizar o seu trabalho? Se não, em que medida poderiam ser superadas?
Estou na Novabase há 20 anos, já mudámos de instalações várias vezes, e sempre houve a preocupação de criar as condições necessárias para que eu pudesse realizar o meu trabalho como qualquer outro colaborador.
Mudaria alguma coisa no seu percurso? O quê?
Nada. Nem profissional nem pessoalmente.
Relativamente à inclusão laboral, qual/ quais foram as maiores dificuldades/ barreiras que encontrou e de que forma as ultrapassou? Por outro lado, quais foram os aspetos positivos/ facilitadores que encontrou?
Não encontrei qualquer dificuldade. Como respondido acima, sempre me deram todas as condições para poder concretizar o meu trabalho. Sou tratada exatamente da mesma forma que os outros colegas, avaliada com os mesmos critérios. Não há qualquer diferença no tratamento. Deslocar-me numa cadeira de rodas é a única diferença entre mim e qualquer outro colaborador da minha empresa.
Qual a sua posição em relação à empregabilidade de pessoas com deficiência? Pessoas com e sem deficiência têm o mesmo direito ao emprego?
Obviamente que sim. Mas também acho que o facto de uma seja ela física ou cognitiva, não deve nunca ser a garantia de emprego e receio que, com a inclusão de um regime de quotas, acabemos por cair em extremos desses. Se queremos ser tratados de forma igual, não nos podemos agarrar ao facto de termos uma limitação para sermos contratados.
Devemos sim, ter os conhecimentos certos para o lugar, saber desempenhar as tarefas necessárias com excelência, sermos escolhidos por mérito. Não me agrada a ideia de ser selecionada para um lugar para cumprir quotas. No entanto, percebo que existam, porque também sei que, precisamente por vivermos no tal país ainda preconceituoso, poderá ser muitas vezes, a oportunidade que talvez falte para mostrarmos o nosso valor.
No âmbito da promoção da empregabilidade, que conselhos daria a: pessoas com deficiência, famílias, instituições, instituições de ensino superior e empresas?
A minha sugestão, no que diz respeito às pessoas com algum tipo de deficiência, é que se analisem muito bem e que encontrem algo que as faça feliz e que sejam muito boas a fazê-lo. Estudem, façam formação, sejam os melhores a fazer aquilo que escolherem. Com os conhecimentos técnicos certos, 90% do caminho da contratação está feito. Depois sejam determinados, resilientes e focados nos objetivos. Tenham atitude e espírito de campeão. A vida é uma espécie de corrida de obstáculos e há que os superar para chegar à meta. Sabemos que vamos cair várias vezes, mas temos que ter a capacidade de nos levantarmos sempre.
Quanto às famílias, devem deixar-nos voar, dar-nos força para tal, e estarem sempre na retaguarda para nos receber de volta caso seja necessário. As empresas e as instituições devem criar as condições necessárias para receber todas as pessoas de igual forma e sem descriminação, devendo ser responsabilizadas legalmente, caso não o façam.
Gostaria de acrescentar mais alguma informação tendo em conta a temática da revista?
Quero apenas acrescentar que, façamos o que fizermos, escolhamos o caminho que escolhermos, nunca nos podemos esquecer de nos divertirmos enquanto o trilhamos. E ainda que, muito mais importante do que sermos bons profissionais, é sermos sempre bons seres humanos. Isso sim, faz a diferença.
Autores: Paula Nunes e Giba

Revista DEFCON Poder da APCAS-Associação de Paralisia Cerebral de Almada Seixal, cofinanciada pelo Programa de Financiamento a Projetos do Instituto Nacional para a Reabilitação!
+351 211933943;
+351 916988486;
+351 912869443

