Revista Vida Independente
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DEFCON Poder
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Define o que para ti é a vida independente, e qual o impacto que tem na tua qualidade de vida?
O que o(a)/vos levou a concorrer ao Centro de Apoio à Vida Independente (CAVI)?
Na tua opinião como tem sido esta experiência/ qual o impacto para os beneficiários, as famílias e os assistentes pessoais? Sentem que o projeto está a corresponder às expetativas?
O que é que o assistente pessoal trouxe à sua/vossas vidas?
Quais as suas/vossas maiores barreiras no que diz respeito à vida independente?
Qual/Quais consideram ser as maiores barreiras à vida independente?
Na tua opinião qual/ quais os aspetos mais urgentes a resolver para que as pessoas com deficiência possam ter uma vida independente em pleno?
Qual(quais) têm sido os aspetos positivos/ facilitadores e os aspetos negativos/ dificuldades ao longo do projeto?
Se pudesse(m) recomendar o CAVI a um amigo(a) o que diria(m)?
Qual/Quais os conselhos que gostarias de dar à comunidade, às pessoas com deficiência, às suas famílias, etc. relativamente à promoção da vida independente? Que papel deverá ter cada um dos intervenientes?
Como sabes este é um projeto a 3 anos. E depois destes 3 anos, qual a vossa expectativa?
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Define o que para ti é a vida independente, e qual o impacto que tem na tua qualidade de vida?
O que o(a)/vos levou a concorrer ao Centro de Apoio à Vida Independente (CAVI)?
Na tua opinião como tem sido esta experiência/ qual o impacto para os beneficiários, as famílias e os assistentes pessoais? Sentem que o projeto está a corresponder às expetativas?
O que é que o assistente pessoal trouxe à sua/vossas vidas?
Quais as suas/vossas maiores barreiras no que diz respeito à vida independente?
Qual/Quais consideram ser as maiores barreiras à vida independente?
Na tua opinião qual/ quais os aspetos mais urgentes a resolver para que as pessoas com deficiência possam ter uma vida independente em pleno?
Qual(quais) têm sido os aspetos positivos/ facilitadores e os aspetos negativos/ dificuldades ao longo do projeto?
Se pudesse(m) recomendar o CAVI a um amigo(a) o que diria(m)?
Qual/Quais os conselhos que gostarias de dar à comunidade, às pessoas com deficiência, às suas famílias, etc. relativamente à promoção da vida independente? Que papel deverá ter cada um dos intervenientes?
Como sabes este é um projeto a 3 anos. E depois destes 3 anos, qual a vossa expectativa?
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Define o que para ti é a vida independente, e qual o impacto que tem na tua qualidade de vida?
Para além de ter um emprego e um carro, vida independente significa ter uma estabilidade financeira que me permita sair da casa dos meus pais e ter a minha casa, o meu espaço. Significa também poder fazer aquilo que necessito e desejo, poder ir aos lugares que quero e quando quero, sem esperar pela disponibilidade e vontade dos meus pais.
O que o(a)/vos levou a concorrer ao Centro de Apoio à Vida Independente (CAVI)?
O envelhecimento da minha avó e dos meus pais, bem como, o meu desejo de viver sozinha.
Na tua opinião como tem sido esta experiência/ qual o impacto para os beneficiários, as famílias e os assistentes pessoais? Sentem que o projeto está a corresponder às expetativas?
Pelo pouco que pude ainda beneficiar, tem sido uma experiência positiva. Por exemplo, antes da interrupção por causa do COVID-19, já não tinha que esperar que a minha mãe se sentisse capaz ou com vontade de me cortar as unhas dos pés e de me arranjar as sobrancelhas. Já pude ir assistir a uma peça de teatro, sem precisar da vontade e disponibilidade dos meus pais para o poder fazer. Até ao momento, o projeto está a corresponder às expetativas, a ter um grande impacto na minha vida, uma vez que me está a proporcionar ter mais independência a todos os níveis.
O que é que o assistente pessoal trouxe à sua/vossas vidas?
Mais independência! Este projeto possibilita-me ter uma pessoa que me respeita, aceita e compreende as minhas dificuldades / barreiras, ajuda-me do que necessito e vai comigo para onde quero e preciso. Para além disso, mostra-se motivada para me ajudar a ultrapassar os meus receios e complexos, e as minhas barreiras, o que é muito importante para mim.
Quais as suas/vossas maiores barreiras no que diz respeito à vida independente?
No meu caso em particular, para além de haver ainda muitos lugares que não estão adaptados, eu própria, sou a minha maior barreira! A minha falta de aceitação física, impede-me de ser mais autónoma, mais independente.
Qual/Quais consideram ser as maiores barreiras à vida independente?
A dificuldade de entrar no mercado de trabalho e a falta de conhecimento e confiança que cada empresa tem para contratar uma pessoa com deficiência; a falta de adaptações em vias públicas e em determinados edifícios; a falta de coragem e conhecimento que os pais de uma pessoa com deficiência têm para a deixar sair de casa, impedindo-a que se depare com uma realidade desconhecida, mas que a irá tornar o mais independente, autónoma possível.
Na tua opinião qual/ quais os aspetos mais urgentes a resolver para que as pessoas com deficiência possam ter uma vida independente em pleno?
Mais lugares e transportes públicos adaptados e mais empresas a criarem postos de trabalho adaptados aos tipos de deficiência que existem e com uma remuneração que permita à pessoa com deficiência ter uma vida auto-sustentável, com direito a poder ter a sua casa para viver a sua independência com as adaptações necessárias.
Qual(quais) têm sido os aspetos positivos/ facilitadores e os aspetos negativos/ dificuldades ao longo do projeto?
Os aspetos positivos têm sido vários, como por exemplo, conhecer pessoas que estão dispostas a respeitar e ajudar a pessoa com deficiência para que consiga sair de casa, enfrentar o mundo e as suas barreiras e as que ela própria impõe a si mesma; mudar mentalidades, quer dos pais e familiares porque cada beneficiário ao ter o seu Assistente Pessoal já consegue ter ajuda para o que necessitar e desejar, quando e onde quiser, o que acaba por mostrar que é capaz de ser o mais autónomo, independente possível; quer das pessoas que irá passar a encontrar sempre que sair de casa, mostrando que existe e é capaz de ter uma vida independente, etc.
Em relação aos aspetos negativos, por enquanto, ainda não menciono nenhum porque ainda não ocorreu nada que me desapontasse.
Se pudesse(m) recomendar o CAVI a um amigo(a) o que diria(m)?
Sem dúvida, é uma oportunidade única que possibilita a pessoa com deficiência ter a ajuda de outra pessoa que terá um emprego com funções de um Assistente Pessoal e que a irá tornar o mais independente, mais autónoma possível.
Qual/Quais os conselhos que gostarias de dar à comunidade, às pessoas com deficiência, às suas famílias, etc. relativamente à promoção da vida independente? Que papel deverá ter cada um dos intervenientes?
Para que não vejam só as incapacidades das pessoas com deficiência. Têm de acreditar e ajudar a desenvolver as suas capacidades e proporcionar oportunidades… oportunidades de sair de casa, de andar na rua, essa rua tem de ser adaptada com transportes públicos e edifícios também adaptados, o que consequentemente irá permitir à pessoa com deficiência conhecer outras pessoas, outros lugares, de estudar, de ter um emprego adaptado às suas dificuldades, ou seja, uma vida independente.
Como sabes este é um projeto a 3 anos. E depois destes 3 anos, qual a vossa expectativa?
Haver uma renovação e a oportunidade de continuar a contar com a ajuda da Assistente Pessoal para promover cada vez mais, a minha vida independente. Caso isso não aconteça, irei aproveitar estes três anos para aprender, para adquirir novas capacidades que me irão permitir continuar a ser o mais autónoma possível, sem a ajuda da Assistente Pessoal.
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Já conhecia o projeto Centro de Apoio de Vida Independente?
Sim, já tinha lido na internet algumas notícias sobre este inovador projeto de vida independente que foi pioneiro no norte do País.
O que o levou a candidatar-se a assistente pessoal?
O que me levou a candidatar-me a assistente pessoal, foi poder trabalhar com pessoas.
Poder ajudar alguém a ter mais liberdade de escolha e a possibilidade de controlar a própria vida, escolher onde ir e o que fazer de forma independente, um assistente pessoal substitui as pernas e os braços de quem não os pode utilizar. A pessoa com deficiência passa a ser o ator principal, naquele que é o filme da sua vida.
Quais são as suas expectativas com o projeto?
As minhas expectativas são as melhores possíveis, acredito que este projeto-piloto tem “pernas para andar”, que vem colmatar uma lacuna no apoio à vida independente da pessoa com deficiência e que no final destes 3 anos de duração haja uma continuidade e que possa chegar a mais pessoas.
E quais foram os seus maiores receios numa fase inicial?
Os maiores receios eram se estaria à altura desta função e se seria bem aceite pelo meu destinatário e pela sua família. Mas felizmente criei uma grande empatia com meu beneficiário e fui muito bem recebido por toda a família, destacando a boa comunicação que tem existido entre nós.
Na sua Opinião como tem sido esta experiência /qual o impacto para os beneficiários e as famílias? Considera ter tido um papel ativo na independência do seu beneficiário?
Ter um assistente pessoal veio trazer ao meu beneficiário mais autonomia, porque estava dependente de familiares para realizar inúmeras tarefas do seu dia-a-dia como a higiene pessoal, alimentação, transporte, terapias, ida a museus ou simplesmente ir ao café.
A minha chegada permitiu que o beneficiário realizasse um conjunto de atividades que ele não podia fazer sozinho, libertando os seus cuidadores para outras tarefas ou simplesmente terem tempo para eles.
O que o motiva todos os dias quando entra ao serviço? Qual o impacto desta experiência para si?
O que mais me motiva quando entro ao serviço, é saber que ajudo alguém a ter uma vida mais independente e a ultrapassar barreiras. A minha recompensa é ver sorrisos todos os dias e fazer parte desta felicidade…
Qual ou quais as maiores dificuldades sentidas com a experiência vivida?
As maiores dificuldades têm sido as barreiras arquitetónicas, porque quando o meu beneficiário quer ir a algum lugar, temos de saber como são os espaços, se existem barreiras e se são de mobilidade acessível com rampas para cadeiras de rodas.
Os pontos positivos neste projeto é ter capacidade de ajudar sem impor a minha vontade e sem ser condescendente.
Quais consideram ser os valores que devem ser respeitados enquanto assistente pessoal?
Um dos grandes pilares da função do assistente pessoal é a confiança e o respeito pelo seu destinatário, não devendo haver quebra de confiança ou falta de respeito pela integridade física, segurança ou privacidade da pessoa com deficiência ou das suas famílias. Acima de tudo deve haver muita dedicação e amor ao que fazemos.
Ser assistente pessoal, é uma nova profissão. Qual considera ser o seu futuro?
Ser assistente pessoal é uma profissão nova e de futuro nos cuidados pessoais e tem uma grande importância porque está a preencher um vazio no apoio a quem necessita, num conjunto de cuidados muito diversos como saúde, higiene, alimentação, ensino e lazer, dando mais autonomia e independência fora das instituições.
Defina com 5 palavras no máximo, a importância do assistente pessoal na vida de um beneficiário.
Liberdade, independência, qualidade de vida, saúde, lazer.
Qual ou quais são as necessidades/interesses que sente como urgentes para melhorar a sua função?
Para melhorar o desempenho da minha função, tenho necessidade de ter mais formação sobre a patologia do meu destinatário, de modo a obter o máximo de informação possível, para o poder ajudar melhor no seu dia-a-dia.
Na sua opinião qual ou quais os aspetos mais urgentes a resolver para que as pessoas com deficiência possam ter uma vida independente em pleno?
Os aspetos mais urgentes são: Eliminar muitas barreiras físicas e sociais, a existência de uma escola verdadeiramente inclusiva, o acesso à formação profissional e uma quota de estágios e emprego maior para a pessoa com deficiência. Só assim podem estar incluídas na sociedade em pé de igualdade com todos os que não têm uma deficiência.
Quais os conselhos que gostaria de dar à comunidade, às pessoas com deficiência, às suas famílias, entre outros, relativamente à promoção da vida independente? Que papel deve ter cada um dos intervenientes?
O conselho que gostaria de realçar é da importância dos CAVI’s e o papel do assistente pessoal no acesso a uma vida Independente, muitas pessoas com deficiência encontram-se dependentes de familiares, amigos ou vizinhos para realizar inúmeras tarefas do dia-a-dia.
Se não tiverem apoio para a realização dessas tarefas (que podem ser funções tão básicas como a higiene pessoal, alimentação ou tomar a medicação), estas pessoas ficam excluídas de qualquer processo de participação social em condições de igualdade.
Para que exista uma verdadeira igualdade de oportunidades é necessário assegurar o apoio de uma terceira pessoa, que somos nós, os assistentes Pessoais que permitimos que se tenha uma vida independente fora das instituições.
Como sabe este é um projeto a 3 anos, depois destes 3 anos qual a vossa expectativa?
A minha expectativa é que daqui a 3 anos, este projeto vingue, possa ter continuidade e que se criem mais Cavi’s de modo a ajudar mais pessoas em todo o país a ter uma vida mais independente.
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Já conhecia o projeto Centro de Apoio à Vida Independente?
Não. Só tive conhecimento na formação.
O que o levou a candidatar-se a assistente pessoal?
Considerei que tinha competências para colaborar neste projeto pioneiro. E ainda bem pois neste momento sinto-me realizada profissionalmente.
Quais são as suas expetativas com o projeto?
Que seja um projeto com sucesso, com objetivos e resultados cumpridos. E que tenha continuação para o futuro.
E quais foram os seus maiores receios numa fase inicial?
Numa fase inicial receei errar no desempenho da função e não corresponder às expectativas.
Na sua opinião como tem sido esta experiência/ qual o impacto para os beneficiários e as famílias? Considera ter tido um papel ativo na independência do seu beneficiário?
Considero esta experiência muito positiva para todos. Tem-se definido objetivos, de acordo com o interesse das minhas beneficiárias e temos cumprido já alguns. São pequenos passos que temos dados mas com o objetivo final da sua independência. O retorno que tenho tido da parte delas é sempre positivo. Em relação às famílias também tenho ouvido elogios e dizem agora ter mais tempo para si.
O que o motiva todos os dias quando entra ao serviço? Qual o impacto desta experiência para si?
Considero esta experiência muito rica em termos pessoais pois contribuo para a independência das minhas beneficiárias e isso é extremamente gratificante. Tenho-me sentido valorizada e acolhida no desempenho da minha função por todos desde as beneficiárias, suas famílias, equipa técnica e família APCAS.
Qual ou quais as maiores dificuldades sentidas com a experiência vivida? E qual ou quais os pontos positivos para si com a envolvência nesta experiência?
Tenho encontrado dificuldades nas deslocações, como por exemplo transportes públicos não adaptados a cadeiras de rodas e mesmo falha de autocarros no horário pré-estabelecido. E nos meios de acesso a diferentes locais que por vezes são inexistentes.
Quais consideram ser os valores que devem ser respeitados enquanto assistente pessoal?
Considero fundamentais a confiança, respeito, empatia, honestidade e ética profissional.
Ser assistente pessoal, é uma nova profissão. Qual considera ser o seu futuro?
É uma profissão com futuro. Acredito que veio para ficar.
Defina com 5 palavras no máximo, a importância do assistente pessoal na vida de um beneficiário.
Independência; poder pessoal; realização; valorização e liberdade.
Qual/quais são as necessidades/ interesses que sente como urgentes para melhorar a sua função?
Continuar sempre a ter formações para ir sempre melhorando a minha função.
Na sua opinião qual/ quais os aspetos mais urgentes a resolver para que as pessoas com deficiência possam ter uma vida independente em pleno?
Entre outros considero os três seguintes como fundamentais.
Qual/Quais os conselhos que gostaria de dar à comunidade, às pessoas com deficiência, às suas famílias, etc. relativamente à promoção da vida independente? Que papel deverá ter cada um dos intervenientes?
Somos todos iguais e todos diferentes. Vamos viver todos com os olhos postos nas qualidades e competências de cada um. Vamos todos ter um papel ativo e lutar por uma vida independente para todos. Temos todos um papel de consciencialização e sensibilização pois todos gostamos da nossa independência e de ser ativos na sociedade.
Como sabe este é um projeto a 3 anos. E depois destes 3 anos, qual a vossa expectativa?
Continuidade claro.
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Já conhecia o projeto Centro de Apoio à Vida Independente?
Não.
O interesse em ser o auxílio à vida independente das pessoas com deficiência?
O interesse em ser o auxílio a vida independente das pessoas com deficiência.
Quais são as suas expectativas com o projecto?
Desempenhar um bom trabalho, para que a independência do meu beneficiário seja plena.
E quais foram os seus maiores receios numa fase inicial?
No meu caso, como um dos meus beneficiários é surdo, tive receio da comunicação, e no caso de ser necessário ter que fazer transferências.
Na sua opinião como tem sido esta experiência/ qual o impacto para os beneficiários e as famílias? Considera ter tido um papel ativo na independência do seu beneficiário?
Tem corrido muito bem, acredito que o meu desempenho na função tem cumprido seus objectivos, tenho podido oferecer algumas aquisições, e apoiar naquilo que não é possível realizarem sozinhos.
O que o motiva todos os dias quando entra ao serviço? Qual o impacto desta experiência para si?
Apoiar e possibilitar que os beneficiários façam aquilo que sempre quiseram, mas que encontravam barreiras, sejam em relação a mobilidade, segurança ou familiar, por falta de disponibilidade de tempo. Essa experiência tem-me trazido em particular muita esperança, de que minhas filhas, que têm trissomia do 21, possam desfrutar dessa estrutura, como o CAVI em suas vidas adultas, e possam ser o mais independentes possível, e além de esperança, tem-me impactado com muita alegria e desconstrução, por ser esse canal que possibilita essas mudanças tão significativas.
Qual ou quais as maiores dificuldades sentidas com a experiência vivida? E qual ou quais os pontos positivos para si com a envolvência nesta experiência?
No início era a comunicação, e o receio de quedas, já que os beneficiários têm pouco equilíbrio, mas hoje me sinto mais segura.
Os pontos positivos são imensos, sou transformada em cada descoberta, me sinto imensamente grata por poder fazer parte disso.
Quais consideram ser os valores que devem ser respeitados enquanto assistente pessoal?
O direito de falar, ser a ponte, mas nunca transpor a vontade de cada indivíduo, sendo maleável, responsável, empática e solidária.
Ser assistente pessoal, é uma nova profissão. Qual considera ser o seu futuro?
Continuar nessa profissão, eu realmente me encontrei desempenhando essa função, e me aprimorar, com cursos na área da saúde e linguagem gestual.
Defina com 5 palavras no máximo, a importância do assistente pessoal na vida de um beneficiário.
Autonomia, segurança, suporte e liberdade.
Qual/quais são as necessidades/ interesses que sente como urgentes para melhorar a sua função?
No momento, não me ocorre nenhuma.
Na sua opinião qual/ quais os aspetos mais urgentes a resolver para que as pessoas com deficiência possam ter uma vida independente em pleno?
Mobilidade urbana, direito a falar e quebra de paradigmas, com muita informação, para que as pessoas com deficiência possam ser ouvidas e respeitadas em suas particularidades.
Qual/Quais os conselhos que gostaria de dar à comunidade, às pessoas com deficiência, às suas famílias, etc. relativamente à promoção da vida independente? Que papel deverá ter cada um dos intervenientes?
A comunidade, ouçam o que eles têm a dizer, seja de forma oral, gestual ou por um programa de computador, eles têm muito a acrescentar a sociedade.
As pessoas com deficiência, sejam resilientes e corajosos, não esqueçam que vocês estão a abrir caminhos para novas gerações, por mais que seja doloroso, vocês são agentes de transformação!!!
As famílias, vocês devem ser os primeiros a acreditar e incentivar o potencial dos seus amados, não desistam!
Como sabe este é um projeto a 3 anos. E depois destes 3 anos, qual a vossa expectativa?
Que esse projecto cumpra sua função e passe de um projecto a um programa efectivo, onde todas as pessoas com deficiência que tenham a necessidade desse acompanhamento, possam se beneficiar, que seja um programa do governo.
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O que é o projeto CAVI?
Os CAVI, são as entidades beneficiárias e responsáveis pela promoção da disponibilização de assistência pessoal às pessoas com deficiência, constituindo-se como a entidade legalmente responsável pela execução dos projetos-piloto de assistência pessoal cofinanciados no âmbito dos Fundos Europeus Estruturais e de Investimento – Programas Operacionais do Portugal 2020.
Os CAVI, disponibilizam um serviço de assistência pessoal de apoio à pessoa com deficiência ou incapacidade, para a realização de atividades que, em razão das limitações decorrentes da sua interação com as condições do meio, esta não possa realizar por si própria
Já conheciam o projeto “Centro de Apoio à Vida Independente” antes de o “abraçarem”?
Na equipa, existe um misto sobre o conhecimento do projeto:
Catarina Santos – Sim, já conhecia e ouviu falar dos CAVI desde 2016, sensivelmente, na altura fez até algumas pesquisas do que já existia noutros países. Relativamente ao CAVI da APCAS, teve a oportunidade de participar em algumas reuniões com outras instituições de várias zonas do país, juntamente com alguns membros da direção da APCAS, no sentido de se falar sobre o projeto e participou também na elaboração da candidatura e acompanhar, de certa forma, as etapas da mesma.
Ana Crespo – Também tinha conhecimento do projecto desde a sua génese, bem como da legislação e orientações que iam sendo disponibilizadas, enquanto membro da comunidade APCAS e profissional ligada à área da deficiência, com particular interesse pelas temáticas da autonomia e independência.
Alexandra Cordeiro – conhecia outros projetos idênticos, nomeadamente em Inglaterra, mas nada que se assemelhasse à dimensão do Centro de Apoio à Vida Independente.
Qual foi a primeira reação/pensamento quando integraram a equipa? Quais foram as vossas expetativas e maiores receios?
A reação foi partilhada e comum pela equipa: o orgulho em participar num projeto de grande impacto ao nível nacional e ao nível da conquista de igualdade de direitos. O pensamento inicial foi “vou participar em algo inovador que vai fazer a diferença”!
Os maiores receios têm a ver com a duração e continuidade do projeto, a continuidade da autonomia e evolução dos beneficiários, assim como os postos de trabalho de todos os envolvidos.
Quais são os procedimentos a tomar para admissão no projeto CAVI? E quem pode beneficiar (inscrição, critérios de seleção, número de beneficiários, etc.)?
Segundo o Decreto-lei 129/2017 de 9 de outubro: São destinatárias de assistência pessoal as pessoas com deficiência certificada por Atestado Médico de Incapacidade Multiuso ou Cartão de Deficiente das Forças Armadas, com grau de incapacidade igual ou superior a 60 % e idade igual ou superior a 16 anos.
– As pessoas com deficiência intelectual, as pessoas com doença mental e as pessoas com Perturbação do Espetro do Autismo, desde que com idade igual ou superior a 16 anos, podem ser destinatárias de assistência pessoal, independentemente do grau de incapacidade que possuam.
– As pessoas com deficiência com idade igual ou superior a 16 anos que se encontrem abrangidas pela escolaridade obrigatória apenas podem beneficiar de assistência pessoal fora das atividades escolares.
O CAVI APCAS dispõe de 25 vagas, as candidaturas podem ser realizadas presencialmente, ou podem ser encaminhadas por e-mail, caso a mesma seja elegível, os candidatos são convocados para a entrevista de admissão e posteriormente a equipa técnica dará uma pontuação seguindo os critérios de seleção (projeto de vida; zona geográfica; idade, etc) e um parecer final, de seguida serão informados da admissibilidade ou não, dependendo se há vagas ou se terão de ficar na nossa lista de espera.
Quanto aos assistentes pessoais, como é efetuado o processo de seleção?
Podem candidatar-se as pessoas que preencham, cumulativamente, os requisitos seguintes: Idade igual ou superior a 18 anos e Escolaridade obrigatória.
Os candidatos a assistentes pessoais passam por um processo de recrutamento, seleção e contratação. Fazem-nos chegar o seu CV, carta de motivação e certificado de habilitações, após a verificação destes documentos, são convocados para entrevista e caso sejam selecionados, realizam a formação obrigatória inicial de 50h e depois de entrevistados e selecionados pelos destinatários são contratados.
Ao longo da formação dos assistentes pessoais, sentiram que foi bem transmitida a sua importância na vida dos beneficiários? Da primeira formação de assistentes pessoais para a segunda existiram alterações? Se sim, quais e porquê?
A primeira formação foi bastante direcionada para a importância e papel do assistente pessoal, tendo sido optimizada na segunda formação, com base no feedback e testemunhos dos assistentes pessoais já formados, os quais participaram também na formação dos segundos. Outro ponto positivo foi o facto da segunda edição terem sido menos formandos, o que possibilitou uma vertente mais prática, interactiva e direccionada.
Qual(quais) têm sido os aspetos positivos/ facilitadores e os aspetos negativos/ dificuldades ao longo do projeto?
A retaguarda da Direção e dos outros serviços da APCAS, assim como o envolvimento, colaboração e disponibilidade das famílias, a parceria com outras instituições têm constituído os aspetos mais positivos e facilitadores. Os aspetos são essencialmente a afluência muito superior às vagas disponibilizadas para o projeto, a dificuldade em conciliar os critérios do perfil adequado para a função e a rotatividade dos assistentes pessoais. Por ser um projeto pioneiro, estavam ainda algumas coisas por definir, o que nos fez sentir alguma dificuldade de tomada de decisão para as situações que surgiam, no entanto todo o processo tem vindo a melhorar cada vez mais.
Têm surgido mais desafios/problemáticas por parte dos beneficiários ou dos assistentes pessoais?
Sem dúvida, por parte dos assistentes pessoais.
Como tem sido esta experiência/ qual o impacto para os beneficiários, as famílias e os assistentes pessoais? Sentem que o projeto está a corresponder às expetativas?
De um modo geral a experiência tem sido muito positiva, quer para as famílias quer para os assistentes pessoais. O impacto tem sido muito visível, logo desde os primeiros dias, sobretudo ao nível da liberdade de deslocação, frequência de locais antes não visitados, redução da dependência familiar, maior prática de desporto, maior sentimento de representação pessoal (autoconceito, autoestima) e socialização.
O projeto está a corresponder e a superar as expectativas de todos os envolvidos.
Qual/ Quais os aspetos mais urgentes a resolver para que as pessoas com deficiência possam ter uma vida independente em pleno?
Acessibilidades a transportes públicos, barreiras arquitectónicas, emprego e formação, sensibilização da comunidade para a igualdade de trato e interação.
E depois destes 3 anos de projeto… Qual é a vossa expetativa?
Termos excelentes resultados e que seja assegurada a continuidade do projeto.
Definam a importância do CAVI em 3 palavras.
Inclusão, Independência, Igualdade.
Crescimento, Valorização, Oportunidades.
Aprendizagem.