Revista Apoios Sociais
DEFCON poder
DEFCON Poder
Com a implantação do estatuto do cuidador informal, abriram-se novas oportunidades para os jovens e menos jovens com necessidades especiais, no que diz respeito a sua integração em vários sectores da sociedade.
As oportunidades que são propostas tais como; desporto, teatro ou outras atividades onde é possível a participação dos mesmos, tem permitido uma maior socialização entre os pares.
Assim sendo permitiu a muitos pais (cuidadores) que possam acompanhar os seus filhos nas dinâmicas de integração a vários níveis. Fruto do esforço de vários intervenientes tais como técnicos, assistentes pessoais é possível presenciar a evolução e desenvolvimento de muitos dos utentes que usufruem deste apoio, proporcionando uma maior felicidade a todos.
No que diz respeito ao Ruben em particular, nota-se uma significativa evolução, quer a nível pessoal, mais confiante, mais comunicativo, maior interação com os pares, tem sido um fator fundamental no seu desenvolvimento.
Sem esta oportunidade tornar-se-ia mais difícil proporcionar-lhe este acompanhamento de evolução e felicidade, sendo ele um jovem que gosta de participar em tudo.
Autores: Edite Ferreira e António Ferreira (Pais de Rúben Ferreira)
O meu nome é João Francisco tenho 27 anos e tenho paralisia cerebral atualmente recebo o apoio da prestação social para a inclusão PSI que me ajuda a custear a minha vida académica bem como outras atividades da minha vida.
Recebo também o apoio do Centro de Apoio para a Vida Independente que através da assistência pessoal me permite participar em algumas atividades e me auxilia na realização das mesmas.
Autor: João Francisco
Chamo-me Vanessa Silva e, com muito orgulho, sou colaboradora da APCAS – Associação de Paralisia Cerebral de Almada Seixal desde outubro de 2013.
Licenciada em “Cinema, Televisão e Cinema Publicitário” desde 2008, só consegui entrar para o mercado de trabalho quando conheci a APCAS através das redes sociais.
Após dois anos a tentar uma colocação no mercado de trabalho, na área em que me licenciei, profundamente dececionada por nunca me terem oferecido uma oportunidade para demonstrar as minhas capacidades cognitivas, uma vez que só era avaliada pelas minhas incapacidades físicas, fui pedir auxílio ao IEFP – Instituto de Emprego e Formação Profissional. Finalmente, iniciei o meu percurso no mundo laboral, mas devido à crise instalada no País, em três estágios profissionais, nunca consegui uma colocação.
Sem muitas mais opções de estágio, tomei conhecimento da existência da APCAS e o professor José Patrício, antigo Presidente da Associação, mudou a minha vida, apostando nas minhas capacidades cognitivas. Segundo ele, na APCAS valorizam-se as capacidades de uma pessoa com deficiência, apesar das suas incapacidades. Opinião que mudou a minha vida! Comecei a trabalhar na APCAS através do Estágio de Inserção com a duração de dois anos, depois continuei ao abrigo do Estágio Contínuo e desde 2016, estou a contrato através da Medida Emprego Apoiado em Mercado Aberto (medidas estas promovidas pelo IEFP).
Com o passar do tempo, a APCAS foi crescendo, eu conseguindo superar algumas barreiras por mim impostas e aprendendo cada vez mais o ofício de Escriturária, e em 2019 esta Associação que tanto amo, presenteou-me com mais um apoio que ia melhorar ainda mais a minha vida, proporcionando-me uma maior autonomia e independência: o serviço de Assistência Pessoal.
Este serviço gratuito, financiado pela Segurança Social, permite-me desde então, contar com o auxílio de uma Assistente Pessoal para conseguir fazer tarefas domésticas que dantes não as conseguia realizar, ir a locais nos dias e horários desejados por mim e não dependentes da disponibilidade da minha família… enfim, foi mais um passo gigante para me tornar mais autónoma e independente no meu dia-a-dia.
Em síntese:
Ter um trabalho é, para qualquer pessoa, uma forma de afirmação, de dignidade e de participação ativa na sociedade. Para uma pessoa com deficiência, conquistar o seu emprego representa o reconhecimento de que o seu contributo é valioso, de que as suas capacidades contam, e de que a inclusão é possível quando as barreiras são eliminadas.
Contudo, a autonomia plena não depende só da força de vontade individual. Muitas pessoas com deficiência enfrentam desafios práticos no dia-a-dia que tornam o acesso ao trabalho, à educação e à vida comunitária mais difícil. É aqui que o serviço de Assistência Pessoal assume um papel essencial, tornando-se uma ferramenta de liberdade, uma vez que permite que a pessoa organize o seu dia de acordo com as suas obrigações e escolhas, sem depender da sua família ou de Instituições. Permite-lhe ter controlo sobre a sua própria vida, decidindo o que fazer, quando e como — tal como qualquer outro cidadão.
Podemos constatar, desta forma, que o emprego e o serviço de Assistência Pessoal garantem à pessoa com deficiência o reconhecimento social e a tão desejada autonomia, fazendo com que ela viva não apenas com dignidade, mas com poder de escolha, de contribuição e de sonho.
Autora: Vanessa Silva