Revista Desporto Inclusivo
DEFCON poder
DEFCON poder
Entrevistas…
Atleta Paralímpico de Boccia
Como tem sido o seu percurso enquanto atleta? O que o motivou a iniciar a prática desportiva, em particular da sua modalidade?
A minha médica fisiatra falou-me da Associação de Paralisia Cerebral Almada Seixal (APCAS) como uma forma de encontrar possíveis respostas aos problemas e desafios que um jovem como eu poderia necessitar. Nessa sequência, passei a frequentar a associação e as atividades nela realizadas. Foi nesse âmbito que fiquei a conhecer a modalidade de boccia, tendo ingressado na escola de boccia da associação aos 13 anos.
O meu percurso desportivo, tem sido bastante positivo. Principalmente nos últimos três anos, onde tenho ganho títulos a nível nacional. No fim de 2017, passei a integrar a seleção nacional. Este ano de 2019 foi bastante positivo, dado que a equipa bc1-bc2 da seleção nacional (da qual faço parte), se tornou vice-campeã europeia. Para além disso, conquistei quatro medalhas a nível internacional, duas de ouro e duas de prata.
Como é o seu dia-a-dia enquanto atleta paralímpico?
Os meus dias são bastante ocupados. Divido os meus dias entre o trabalho que desempenho na APCAS – Associação de Paralisia Cerebral de Almada Seixal, os treinos de boccia e os treinos físicos.
Sou uma pessoa muito ativa, e muitas vezes tenho os fins de semana, ocupados com estágios da seleção ou competições nacionais.
Quais os elementos que considera essenciais neste percurso?
A minha família e amigos são os meus pilares de apoio. Estão lá sempre que necessário. Os meus pais a minha irmã e os meus avós sempre lutaram para que eu pudesse ter as condições, para conseguir lutar por aquilo que quero. São eles que vibram tanto ou mais do que eu durante os jogos. São eles os meus mentores, e é a eles que dedico cada conquista minha.
O meu auxiliar, José Patrício, é também uma peça fundamental. Anda comigo para todo o lado (estágios e competições), treina comigo durante a semana, perdendo assim alguns momentos da juventude dele.
O meu treinador, Carlos Francisco, viu-me e vê-me crescer enquanto desportista, todos os dias. Todos os dias aprendo com ele, e tento aperfeiçoar-me a cada dia que passa.
Ao longo da sua carreira enquanto atleta paralímpico, quais foram as maiores dificuldades e como as ultrapassou? E quais foram os maiores facilitadores?
Ao longo destes 3 anos, não tive grandes dificuldades. Apenas me custa estar tanto tempo longe da minha família, durante semanas de estágios ou competições internacionais, faltando assim a datas ou eventos especiais.
Mas é importante referir que as dificuldades não se notam porque são ultrapassadas em parceria – por exemplo a fidelização dos assistentes técnicos desportivos, neste caso o José Patrício, que abdica do seu tempo para se dedicar ao meu desporto é de louvar, sem esta ajuda e apoio de retaguarda do clube no meu acompanhamento e nesta articulação seria muito difícil.
Sou uma pessoa que se adapta facilmente às diversas situações, portanto acho que isso me facilitou nesta nova etapa da minha vida, como também a minha capacidade de socialização e de fazer amigos.
Como concilia a sua carreira de atleta paralímpico com outras ocupações profissionais, pessoais, etc.?
Como já referi, trabalho na APCAS. Derivado ao facto de estar muitas vezes no norte do país, a estagiar ou em competições internacionais, tenho que agradecer à minha equipa de trabalho na APCAS que sempre me apoiou e permite que concilie o meu trabalho com a prática desportiva. Sem eles nada disto seria possível. Tento sempre desempenhar as minhas tarefas profissionais com a maior antecedência possível. Em alturas de sobrecarga, tentamos sempre ultrapassar os problemas, no caso de ser necessário, faço umas horas extra.
Quais são os valores que considera mais importantes enquanto atleta paralímpico?
Tenho a certeza que qualquer atleta quer competir ao mais alto nível. Mas para isso é preciso, ter paixão por aquilo que faz! Os resultados, não aparecem de um momento para o outro, há que trabalhar, lutar para chegar lá e continuar a trabalhar para mantermos o nosso nível. Sim, porque o difícil não é chegar lá, é mantermo-nos lá em cima!
Temos que nos privar de viver algumas coisas durante a nossa juventude, para podermos ter a capacidade de chegar onde queremos. Temos que ser responsáveis, disciplinados! “O trabalho nunca acaba!”
Outro aspeto que acho importante, é o amor pelo nosso país. Somos um país pequeno, mas muito grande em diversos aspetos. Temos atletas fantásticos. Somos nós que levamos o nome de Portugal, mais longe. Sempre tive o objetivo de poder representar as cores de Portugal. Poder ouvir e cantar o hino, no pódio foi dos melhores momentos que já vivi.
Em que medida o desporto contribuiu não só para o seu desenvolvimento pessoal, mas também para a sua inclusão na sociedade?
O desporto sempre esteve presente na minha vida, sempre gostei de praticar! O boccia, veio-me abrir novos caminhos. Nestes últimos 2 anos, cresci bastante, tenho um sentido de responsabilidade muito maior, sou um indivíduo mais forte psicologicamente. Tenho conhecido outras culturas, outros exemplos de vida, e acho que isso tem-me enriquecido como ser humano. Sempre me senti incluído socialmente, portanto o desporto veio fortalecer a minha inclusão na sociedade.
O que considera importante transmitir a alguém com deficiência e/ou incapacidade que pretende começar a praticar desporto? E à família? E às entidades que promovem o desporto inclusivo?
Quem quer começar a praticar desporto, deve primeiro experimentar várias modalidades e depois escolher a que goste ou aquela em que tiver mais funcionalidade.
A família deve apoiar, como é óbvio, a sua decisão e a realização da prática desportiva.
As entidades que promovem o desporto inclusivo podem e devem encontrar soluções de adaptação para qualquer pessoa em qualquer desporto que desenvolvam, promovendo assim a inclusão.
No âmbito da promoção do desporto inclusivo, que conselhos daria…
Em tudo na vida tento encarar as coisas com positividade e visão no futuro. É fácil ser revoltado e negativo, o difícil é fazer a diferença todos os dias. Sempre que me levanto encaro o dia como uma nova oportunidade de fazer a diferença por mim e pelos meus. Encaro a vida e os desafios como coisas positivas que me façam superar a mim próprio. A vida é demasiado importante para a desperdiçarmos com lamúrias e queixas. Todos nós, por muito difícil que seja, e muitas vezes é, podemos fazer qualquer coisa que nos motive, faça feliz e nos realize. Só temos que acreditar e fazer por isso.


Atleta Paralímpico de Handbike
Como tem sido o seu percurso enquanto atleta? O que o motivou a iniciar a prática desportiva, em particular da sua modalidade?
O meu percurso como atleta tem sido de ano para ano mais exigente e tenho obtido cada vez mais conquistas. O que me levou à prática desportiva na minha modalidade foi mesmo a minha incapacidade de poder fazer outros desportos, digamos para as pessoas normais, pois sempre fui um desportista.
Como é o seu dia-a-dia enquanto atleta paralímpico?
O meu dia-a-dia resume-se exclusivamente aos treinos, descanso e pouco mais, a não ser buscar e levar os filhos à escola, pois sou atleta profissional e nestes últimos anos vivo apenas deste desporto.
Quais os elementos que considera essenciais neste percurso?
Os elementos essenciais são acima de tudo a grande dedicação e muito trabalho, e claro, sem o apoio da família tornava-se bem mais difícil. O meu dia-a-dia, resume-se a levantar cedo, levar os filhos à escola, treinar de manhã, descansar até meio da tarde. Depois realizo um segundo treino (pois treino 2 vezes por dia), vou buscar os meus filhos à escola, ajudo nas tarefas de casa e por fim, deito-me cedo para repousar o necessário de modo a ter o devido rendimento nos treinos, acompanhado de uma alimentação muito cuidada e equilibrada.
Ao longo da sua carreira enquanto atleta paralímpico, quais foram as maiores dificuldades e como as ultrapassou? E quais foram os maiores facilitadores?
A minha maior dificuldade, que jamais esquecerei, foi sem dúvida o campeonato do mundo de 2018 em Maniago – Itália, pois estava um calor abrasador e ainda hoje não sei onde fui buscar forças para terminar a prova e ficar integrado no projeto Tóquio 2020.
Os maiores facilitadores têm sido sempre os títulos que tenho ganho ano após ano.
Como concilia a sua carreira de atleta paralímpico com outras ocupações profissionais, pessoais, etc.?
Há ano e meio para cá apenas pratico o desporto paralímpico, mas trabalhei e competi durante anos seguidos. Era difícil conciliar, mas com esforço e dedicação tudo se faz.
Quais são os valores que considera mais importantes enquanto atleta paralímpico?
Os valores mais importantes para mim são sem dúvida as vitórias, que dão um sabor especial e que transmitem que o trabalho está a ser bem feito (reconhecimento).
Em que medida o desporto contribuiu não só para o seu desenvolvimento pessoal, mas também para a sua inclusão na sociedade?
No meu caso penso que me tornei mais conhecido, pois para onde vou, sou felicitado e abordado por muitas pessoas.
O que considera importante transmitir a alguém com deficiência e/ou incapacidade que pretende começar a praticar desporto? E à família? E às entidades que promovem o desporto inclusivo?
O que gosto de transmitir sempre é que seja qual for a deficiência, não é motivo para ficar em casa e isolar-se do mundo. Há tanto por descobrir e imensos desportos que se adequam às limitações de cada pessoa…. Façam desporto seja ele qual for!
À família, considero fundamental que nos apoiem como nunca, pois sem eles não nos conseguimos libertar.
Às empresas, que tentem dar o maior número de apoios possíveis por estas causas, sei que não é fácil, mas muitos dos equipamentos são demasiado caros e muitas pessoas não conseguem adquirir. No meu caso tenho uma Handbike avaliada em mais de 20000€.
No âmbito da promoção do desporto inclusivo, que conselhos daria…
Os conselhos que daria no geral são para que apoiem estas causas ao máximo, não desistam das pessoas com deficiência, pois são elas que mais medalhas trazem para o nosso Pais…



Autores: Rita Patrício e Giba Bah
Revista DEFCON Poder da APCAS-Associação de Paralisia Cerebral de Almada Seixal, cofinanciada pelo Programa de Financiamento a Projetos do Instituto Nacional para a Reabilitação!
+351 211933943;
+351 916988486;
+351 912869443

