Revista Praias
DEFCON poder
DEFCON poder
Presidente do Conselho Diretivo do Instituto Nacional para a Reabilitação, I.P.
Dr. Humberto Santos
(entrevista realizada em 2018)

O que é o projeto Praia Acessível?
O programa Praia Acessível – Praia para Todos! foi criado em 2004 e desenvolve-se no terreno desde 2005, no âmbito de uma parceria que reúne três organismos da Administração Central do Estado: o Instituto Nacional para a Reabilitação – INR, I.P., a Agência Portuguesa do Ambiente – APA, I.P. e o Turismo de Portugal – TP, I.P.
Este programa tem por objetivo que o maior número possível de praias portuguesas, costeiras e interiores, garanta igualdade de oportunidades a todas as pessoas que desejem frequentá-las – independentemente da sua idade, de possíveis deficiências ou de incapacidades que, de forma temporária ou permanente, condicionem a sua mobilidade –através da oferta de condições de acessibilidade e de serviços de apoio que lhes proporcionem uma fruição com equidade, segurança, conforto, dignidade, independência e a maior autonomia possível. Assim, foi definido um conjunto de requisitos de cumprimento obrigatório que condicionam a atribuição da classificação de “acessível” a determinada zona balnear e, portanto, o hastear do respetivo galardão, que consiste numa bandeira com o logotipo e o lema do programa sobre fundo branco.

Estas condições, que são confirmadas através de vistoria no início de cada época balnear, são as seguintes:
Contudo, existem outras condições que, não sendo de cumprimento obrigatório para a obtenção do galardão, melhoram inquestionavelmente o desfrute das praias por parte dos frequentadores com mobilidade condicionada, pelo que são boas práticas recomendadas, que vão estando, cada vez mais, presentes nalgumas praias. São exemplos:
O Programa “Praia Acessível – Praia para Todos!”, promove, assim, o cumprimento da legislação em vigor sobre acessibilidade e não discriminação, bem como da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, ratificada por Portugal em 2009, que defende a construção de uma sociedade inclusiva e reafirma a necessidade de garantir às pessoas com deficiência o gozo pleno dos seus direitos, em condições de igualdade com as outras pessoas.
Quantas existem a nível nacional?
Na presente época balnear haverá mais de 220 praias acessíveis no continente, Açores e Madeira. A sua listagem completa pode ser consultada nas páginas eletrónicas deste Instituto, da Agência Portuguesa do Ambiente, I.P. e do Turismo de Portugal, I.P.
Mais de um terço das zonas balneares portuguesas são já acessíveis e temos a convicção que esta percentagem continuará a aumentar, e que cada vez mais frequentadores das nossas praias, independentemente das suas possíveis dificuldades de mobilidade, poderão usufruir de forma plena, digna e segura das nossas excelentes praias.
Gostaria de realçar que, a par do crescimento assinalado, o Programa se tem pautado pelo reforço de alguns aspetos de natureza mais qualitativa, como por exemplo, uma maior eficácia da informação prestada ao público sobre as condições de acessibilidade existentes em cada praia, cujo conhecimento prévio é extremamente importante para as pessoas com mobilidade condicionada que planeiem visitá-la.
Porque é que não é obrigatório no regulamento ter cadeira de banho?
A existência de meios anfíbios que possibilitem o banho de pessoas com mobilidade reduzida, como as cadeiras que refere, não é um requisito obrigatório nas praias acessíveis pelo simples facto de, nalgumas zonas balneares, as próprias condições fisiográficas tornarem a sua utilização perigosa, ou mesmo inviável.
Assim, embora a existência de equipamentos como cadeiras de rodas e andarilhos anfíbios, ou canadianas anfíbias, seja uma mais-valia importante e muito valorizada pelos frequentadores com mobilidade condicionada – que o Programa reconhece como boa-prática e recomenda –, não é aplicável em todas as praias, pelo que não pode constituir uma condição de caráter imperativo para a atribuição da classificação de “Praia Acessível”.
Revista DEFCON Poder da APCAS-Associação de Paralisia Cerebral de Almada Seixal, cofinanciada pelo Programa de Financiamento a Projetos do Instituto Nacional para a Reabilitação!
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