Revista Praias
DEFCON poder
DEFCON poder
TESTEMUNHO DE MARIA JOÃO MORGADO
Ir de férias, ainda que por alguns dias, é algo merecido e que nos permite carregar baterias e desanuviar da lufa-lufa do dia-a-dia. Porém, ter mobilidade reduzida, e mais ainda, fazer parte de um casal onde ambos a têm, faz com que os tão desejados dias de dolce fare niente nos deixem ainda mais desgastados.
Às condicionantes do orçamento, junta-se a falta de transporte próprio adequado a uma cadeira elétrica e a uma scooter para pessoas com mobilidade reduzida (PMR), assim como de transportes públicos acessíveis que permitam uma escapadinha para fora da área metropolitana de Lisboa. Há sempre a hipótese de usar um táxi adaptado para viagens mais longas, com um preço previamente acordado. Importa relembrar que estes táxis apenas levam uma cadeira de cada vez, pelo que, em casal seriam necessários dois táxis.
Com a questão do transporte resolvida, vem a saga de escolher um alojamento acessível (de preferência à carteira e sobretudo à cadeira). Infelizmente, nem sempre os hotéis que se dizem adaptados a PMR o são realmente. Há toda uma lista interminável de pequenos grandes pormenores que tornam a experiência um tudo ou nada surreal. A saber:
As zonas comuns de alguns hotéis, mesmo os que se dizem acessíveis, não o são totalmente. Pode circular-se ao redor das piscinas, mas não há dipositivos facilitadores de entrada na água, nem nadadores salvadores que nos ajudem a ir a banhos.
SPAS e cadeiras de rodas também não combinam. Umas vezes, há outros hóspedes simpáticos que “dão uma mãozinha” e ajudam nas transferências, outras há funcionários 5 estrelas e noutras desistimos da ideia, mesmo pagando o mesmo que os outros hóspedes pela estadia.
Descobrir como ocupar o tempo é outra das aventuras durante as férias, tendo em conta a escassez de praias com boa acessibilidade, ou mesmo a falta de restaurantes e bares sem barreiras arquitetónicas.
Dicas para evitar que as coisas corram um bocadinho menos mal:
Resumindo: infelizmente, se até nas necessidades básicas de acessibilidade e de integração das pessoas com deficiência continuam a existir falhas graves, é óbvio que a área do turismo/lazer não será uma prioridade. Há um longo caminho a percorrer, mas também já se começam a ver muito bons exemplos como o projeto «Maré Viva» em Cascais e os esforços dos Parques de Sintra para que todos, sem exceção, possam disfrutar dos mesmos.
Com todos os contratempos, é sempre bom ter um plano «B» e muita imaginação para inventar soluções que têm também de partir de nós, os principais interessados na mudança, porque ficar em casa à espera que as coisas mudem não leva a lado nenhum.
Boas férias! 😉


Revista DEFCON Poder da APCAS-Associação de Paralisia Cerebral de Almada Seixal, cofinanciada pelo Programa de Financiamento a Projetos do Instituto Nacional para a Reabilitação!
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