Revista Praias
DEFCON poder
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Será que as praias têm as condições de acessibilidade?
Nesta época do ano, em que há tanto calor, as pessoas pretendem muito ir à praia. Será que as praias têm as condições de acessibilidade necessárias para as pessoas com mobilidade reduzida? Foi isso que fomos testar, com a colaboração da atriz Liliana Santos.
Antes de Liliana Santos ter uma pequena experiência do que é a realidade de muitos, fizemos-lhe umas perguntas.
Tendo em conta o número considerável de pessoas com deficiência que Portugal tem, nem todas as praias e locais públicos têm os acessos em condições para estas pessoas. Liliana Santos referiu que “é uma questão a que todos devemos estar muitos atentos, não só nas praias, como também em muitos outros locais…’’. Pensando no geral, Liliana diz que “já estamos a mudar, já está a haver uma mudança, as pessoas estão a ficar mais conscientes (…). Embora muito lentamente, não tão rápido como gostaríamos, mas há cada vez mais condições. É bom usufruirmos de todos os espaços, nesse sentido era ótimo que todos estivessem adaptados para pessoas com mobilidade reduzida. É importante, de facto, que existam condições para todos nós, com ou sem limitações’’
Conhecendo a nossa sociedade, em geral, Liliana Santos afirma que “é necessário sensibilizar os operadores locais para a criação de condições que permitam o uso das praias pelas pessoas com deficiência”. Também noutros espaços públicos “existe quase uma obrigatoriedade para a criação de condições de acesso necessárias para estas pessoas”.
Para esta reportagem, escolhemos a Praia do Rampa por ser uma das praias acessíveis no distrito de Setúbal. Pretendemos ver se existe estacionamento reservado a pessoas com deficiência, se têm todo o equipamento necessário – nomeadamente, “tiralos’’ (nome comum para as cadeiras de rodas anfíbias), rampas e passadiços –, como também perceber qual a extensão dos mesmos no areal, de modo a analisar e, sucintamente, descrever as acessibilidades da Praia do Rampa para pessoas com mobilidade reduzida.
Fica aqui agradecimento especial, ao bar “Rampa Beach Club’’, por gentilmente nos ter deixado fazer esta reportagem nas suas instalações, bem como à equipa de nadadores salvadores, que nos acompanhou e ajudou na realização da reportagem.

Será que as praias têm as condições de acessibilidade?
Quando chegámos à praia reparámos que só havia um lugar reservado a pessoas com deficiência, ainda que este fosse espaçoso.
Logo aqui pudemos concluir que, se houver mais do que um veículo grande ou dois veículos mais pequenos de pessoas com mobilidade reduzida naquela praia, poderão não ter lugar perto da entrada para a praia, dificultando assim o acesso à mesma.
Comentando esta situação, Liliana Santos refere que, ‘’Apesar de haver estacionamento prioritário, um lugar não é suficiente. O mesmo acontece noutros locais, infelizmente.’’
Será que as praias têm as condições de acessibilidade?
Foi o momento de irmos à água e termos uma pequena experiência do que é a realidade de muitos.
Normalmente quando alguém precisa da cadeira de rodas anfíbia – comumente chamada de “Tiralo” – , o acompanhante dessa pessoa tem de ir ter com os nadadores salvadores e pedir-lhes. São eles que levam a cadeira de rodas anfíbia até ao carro da pessoa com mobilidade reduzida e auxiliam a transferência da mesma. A partir deste momento, pelo menos um elemento da equipa de nadadores salvadores acompanha sempre a pessoa em questão.
Como referido anteriormente, pudemos contar com a participação da atriz Liliana Santos, que aceitou o desafio de se sentar numa cadeira de rodas e ter contacto com uma realidade à qual não está habituada.
Saímos do bar, descemos uma rampa e dirigimo-nos até à carrinha da APCAS. Neste caso, dois nadadores salvadores vieram ter connosco com as cadeiras de rodas anfíbias. Foi feita a transferência da Liliana da cadeira de rodas manual para o tiralo de forma passiva e foi-nos explicado que esta transferência é realizada sempre por duas pessoas. Em seguida fomos nas cadeiras de rodas anfíbias para a praia. As rodas dos tiralos facilitam bastante a deslocação na areia, no entanto, existe alguma dificuldade relativamente à mesma. Fomos até à beira da água, um dos elementos da APCAS entrou parcialmente na água com sucesso, tendo tido como objetivo perceber-se qual a facilidade com que o tiralo flutua.
Ao regressar para o bar, novamente, houve alguma dificuldade por parte do nadador salvador em puxar a cadeira de rodas anfíbia, devido ao areal ter alguma inclinação. Concluiu-se, então, que nesta praia faria sentido haver uma passadeira para que a mesma pudesse facilitar a deslocação do tiralo, como existe noutras praias. Foi novamente feita a transferência da Liliana Santos do tiralo para a cadeira de rodas manual.
Portugal tem em curso o “Programa Praia Acessível – Praia para Todos!” foi criado em 2004 e desenvolve-se no terreno desde 2005. Pretende tornar acessíveis as praias portuguesas às pessoas com mobilidade condicionada, estendendo-as ao maior número de zonas balneares possíveis, tanto costeiras como interiores. Pretende-se também criar condições de mobilidade no areal, através de passadeiras, e na água, com veículos próprios.” por “Portugal tem em curso o “Programa Praia Acessível – Praia para Todos!” criado em 2004 e desenvolve-se no terreno desde 2005. Pretende tornar as praias portuguesas acessíveis a pessoas com mobilidade condicionada, estendendo-as ao maior número de zonas balneares possíveis, tanto costeiras como interiores. Pretende também criar condições de mobilidade no areal, através de passadeiras, e na água, com veículos próprios.
No final, um elemento da equipa de nadadores salvadores aceitou falar connosco. O mesmo disse-nos que esta praia tem as condições necessárias para pessoas com mobilidade reduzida. Perguntámos-lhe se geralmente vêm pessoas com mobilidade reduzida à praia, ao que o nadador salvador referiu que “vêm poucas, (…) não vêm mais, provavelmente, porque desconhecem que esta praia tem acessibilidades.”
Fica um agradecimento à equipa de nadadores salvadores e aos responsáveis da concessão, que tornaram possível a realização desta reportagem e se mostraram inteiramente disponíveis durante todo o processo.
Portugal tem em curso o “Programa Praia Acessível – Praia para Todos!” foi criado em 2004 e desenvolve-se no terreno desde 2005. Pretende tornar acessíveis as praias portuguesas às pessoas com mobilidade condicionada, estendendo-as ao maior número de zonas balneares possíveis, tanto costeiras como interiores. Pretende-se também criar condições de mobilidade no areal, através de passadeiras, e na água, com veículos próprios.
Esta reportagem teve como objetivo mostrar um pouco a realidade de muitos durante a época balnear e demonstrar que nem tudo está feito, que ainda há muita coisa para melhorar nas praias portuguesas e que é algo que passa muitas vezes despercebido aos olhos das pessoas.
Por fim, queremos deixar um agradecimento especial à atriz Liliana Santos, pela sua disponibilidade e sensibilidade.
André Ramos


Será que as praias têm as condições de acessibilidade?

A APCAS foi entrevistar um dos nadadores-salvadores da praia do Rampa em relação aos acessos para pessoas com mobilidade reduzida.
P: Acha que as praias do país estão adaptadas para pessoas com mobilidade reduzida?
R: Todas, todas as praias do país não estão, porque hoje em dia é difícil ter a verba suficiente para adquirir estes bens. Felizmente, as praias aqui da associação da Fonte da Telha – e penso que as da Costa da Caparica também – estão equipadas para isso.
P: O que acha que é necessário para as pessoas com mobilidade reduzida poderem usufruir das praias da melhor forma?
R: Como foi experienciado aqui hoje – vocês puderam ver – nós temos dois carrinhos próprios, com pneus próprios para andarem na areia e com flutuadores para poderem ir à água também. Aquilo que é necessário não é só o carrinho – que tem como nome “Anfíbia” –, mas também o local onde esse carrinho possa entrar diretamente para a praia [referindo-se a passadiços e rampas de acesso].
Entrevista realizada por: Paula Nunes e George Ionel.
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