Revista
Turismo Acessível
DEFCON poder
DEFCON poder
Sofia
Viajar sempre fez parte da minha vida. Comecei cedo, com os meus pais, e era sempre uma
emoção. Na altura, sair de Portugal trazia-me uma realidade diferente da minha e isso
fascinava-me. Em cada país mudava a língua, a moeda e até os costumes. Esse gosto cresceu
comigo e, assim que pude, comecei a viajar por minha conta.
Foi também em viagem que tive um acidente que me deixou paraplégica. Mas nem por isso
deixei de o fazer. Viajar estando numa cadeira de rodas mudou um pouco as coisas,
principalmente há trinta anos, em que as acessibilidades não eram o que são hoje e sair de
casa significava, muitas vezes, perder a minha independência.
Com o tempo, fui ganhando experiência e percebi que, com um bom planeamento, tudo se
tornava mais fácil. Conseguia assim evitar surpresas e situações desagradáveis ou
experiências menos positivas.
No JustGo by Sofia, onde partilho as minhas aventuras pelo mundo, gosto de encarar o
planeamento como a primeira etapa da viagem. É nesse momento que começo a viajar com a
mente e com o coração, a imaginar-me nos lugares, a sentir a expectativa crescer e a
descomplicar o que à partida parece difícil. Entre escolher destinos, imaginar roteiros e sonhar
com tudo o que vamos viver, há uma certa magia que começa muito antes de fazermos a mala.
No entanto, planear uma viagem acessível é ainda um desafio, apesar de todas as
ferramentas que temos hoje à disposição. É certo que, para quem tem mobilidade
condicionada, o planeamento pode trazer momentos de grande frustração – não porque seja
impossível, mas porque nos deparamos, à partida, com obstáculos que começam
invariavelmente com a falta de informação.
Os maiores desafios de uma viagem acessível? Garantir os alojamentos e os transportes com as
adaptações necessárias. Por isso, reservar com antecedência é essencial para evitar
contratempos.
Isso não quer dizer que tenha que ser assim para todos. Os mais aventureiros podem sempre
continuar a arriscar. E é importante não esquecer que é impossível controlar tudo,
principalmente com antecedência e à distância, pelo que o risco vai sempre connosco.
Mas tão importante como o planeamento é a flexibilidade. Se não dá para ir a todo o lado,
vamos aonde dá – e garanto que dá para muito mais do que pensamos!
Quando me vi em cima da Muralha da China, um sonho tornado realidade, percebi que não a
podia percorrer porque existem muitas zonas com escadas. Mas isso não me impediu de lá estar, de ver e sentir a grandiosidade daquela obra única. Viajar é também isso: adaptar, simplificar e aproveitar o que é possível.
Cada detalhe pensado com antecedência é uma porta aberta para momentos felizes e sem
sobressaltos.
Aventurem-se! Vão surpreender-se com o que é possível fazer e com os lugares onde podem
chegar. No final, são sempre os bons momentos que a nossa memória guarda com mais nitidez.
JustGo!
Sofia, do JustGo by Sofia



Revista DEFCON Poder da APCAS-Associação de Paralisia Cerebral de Almada Seixal, cofinanciada pelo Programa de Financiamento a Projetos do Instituto Nacional para a Reabilitação!
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