Revista Turismo Acessível
DEFCON poder
DEFCON Poder
O turismo acessível garante que todas as pessoas, independentemente de suas limitações físicas ou intelectuais, possam usufruir das experiências turísticas com conforto e segurança. As boas práticas de turismo acessível promovem a inclusão, destacando ações e adaptações que tornam o turismo mais justo, acolhedor e acessível para todos.
Para garantir um turismo verdadeiramente inclusivo, é essencial adotar medidas concretas que eliminem barreiras e promovam a participação plena de todos os viajantes. Serão apresentadas algumas boas práticas no turismo acessível, organizadas por áreas-chave, que exemplificam como destinos e serviços podem tornar-se mais acolhedores, seguros e acessíveis.
Alguns exemplos de boas práticas de turismo acessível em Portugal, que têm sido implementadas em diversas regiões para promover a inclusão no setor turístico:
Praia Fluvial de Monsaraz (Reguengos de Monsaraz, Alentejo)
A praia dispõe de uma rede de percursos pedonais acessíveis e interligados, que garantem o acesso livre a pessoas com mobilidade condicionada até cerca de 3 metros da frente de água, apesar de um desnível de 8% no areal. Junto a estes percursos, existe uma zona de conforto com sombra e piso firme.
Os equipamentos disponíveis incluem instalações sanitárias adaptadas, duches e lava-pés acessíveis, cafés e bares com serviço de mesa, além de um local de primeiros socorros adaptado.
A segurança é assegurada por nadadores salvadores durante a época balnear, das 9h às 19h, em 150 metros de frente de praia.
Para apoiar o banho, há um serviço específico para pessoas com mobilidade reduzida, com equipamentos como:
Este serviço está sempre disponível durante o horário da praia, junto à zona de conforto sombreada.
Museu da Covilhã (Covilhã, Beira Interior)
Este museu foi transformado em um modelo de acessibilidade em Portugal. Inaugurado em 2021, foi premiado como Museu do Ano pela Associação Portuguesa de Museus e tornou-se finalista do Prémio Museu Europeu do Ano. O projeto incluiu a instalação de sinalização tátil, réplicas em relevo e em braille, além de mapas falantes, permitindo que pessoas com deficiência visual possam explorar a história da cidade de forma independente.
Ecoparque Sensorial da Pia do Urso (Batalha, Leiria)
Este ecoparque foi requalificado para oferecer um percurso pedestre sensorial adaptado a pessoas com deficiência visual. O espaço conta com estações interativas que permitem aos visitantes apreciar a flora, fauna e formações geológicas por meio dos sentidos, proporcionando uma experiência inclusiva e educativa.
Praia de Albarquel (Setúbal)
A Praia de Albarquel foi reconhecida como a praia mais acessível de Portugal em 2020, recebendo o Prémio Praia + Acessível. O município de Setúbal implementou diversas melhorias, como a instalação de passadiços, rampas de acesso, equipamentos adaptados e a disponibilização de apoio profissional, incluindo fisioterapeutas e intérpretes de Língua Gestual Portuguesa, em colaboração com o Instituto Politécnico de Setúbal.
Parque Mineiro de Aljustrel (Aljustrel, Alentejo)
O Parque Mineiro de Aljustrel foi destacado como exemplo de boas práticas de turismo acessível no âmbito do projeto “Rota sem Barreiras”. O parque oferece visitas adaptadas, com percursos acessíveis e informações em formatos inclusivos, promovendo a inclusão de pessoas com diversas necessidades.
Tapada de Mafra (Mafra, Lisboa)
Com o apoio do Turismo de Portugal, a Tapada Nacional de Mafra passou a contar com novas viaturas elétricas adaptadas para pessoas com mobilidade reduzida. Estes veículos proporcionam visitas mais confortáveis para todos os visitantes, com especial atenção às necessidades de quem tem limitações de mobilidade.
Parques de Sintra (Sintra, Lisboa)
A empresa Parques de Sintra tem vindo a implementar, desde há alguns anos, o projeto “Parques de Sintra Acolhem Melhor”, com o objetivo de tornar os seus espaços mais acessíveis a todos os visitantes, incluindo pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.
As melhorias abrangeram:
Cada monumento foi alvo de intervenções específicas:
Praia de Santo Amaro (Oeiras, Lisboa)
O projeto ‘Praia Acessível’ arrancou no dia 1 de maio de 2025, permitindo o acesso de pessoas com mobilidade condicionada à praia e aos banhos de mar, de forma segura e gratuita. Está disponível todos os dias, entre as 9h e as 18h, até 30 de setembro, na praia de Santo Amaro de Oeiras.
Entre os apoios disponibilizados estão:
O projeto resulta da colaboração entre os Bombeiros de Oeiras, a ProAtlântico – Associação Juvenil, e a Câmara Municipal de Oeiras, com o objetivo de promover a inclusão social e garantir igualdade de oportunidades no lazer de verão.
Este ano, conta ainda com a participação da Surfaddict– Associação Portuguesa de Surf Adaptado, oferecendo experiências de surf adaptado em datas específicas entre maio e setembro.
Praias em Cascais (Conceição, Tamariz, Carcavelos)
O Município de Cascais conta atualmente com três praias reconhecidas como “Praia Acessível, Praia para Todos!”, garantindo condições de acessibilidade, segurança e inclusão para todos os visitantes.
Além dos requisitos obrigatórios, Cascais aposta em boas práticas que promovem maior autonomia e equidade na utilização das praias. O serviço de apoio ao banho é realizado por voluntários do projeto Maré Viva, com formação específica, e utiliza cadeiras anfíbias (Tiralô). O serviço é gratuito e disponível também para instituições, mediante marcação.
Museu do Aljube – Resistência e Liberdade (Lisboa)
A EGEAC, entidade responsável pela gestão de diversos espaços culturais, aposta numa cultura aberta, inclusiva e acessível. A sua política promove o acesso equitativo – físico, social e intelectual – a todas as pessoas, com iniciativas como sessões com Língua Gestual Portuguesa (LGP), audiodescrição, linguagem acessível e sessões descontraídas.
O projeto Museu Acessível desenvolvido, desde 2023, com o mecenato da Fundação Millennium BCP e a assessoria de várias instituições de referência, permitiu à EGEAC desenvolver o projeto “Museu Acessível”, que visa eliminar barreiras nos museus sob a sua gestão, facilitando o acesso à cultura para pessoas com deficiências sensoriais, intelectuais e neurodivergentes.
O projeto começou no Museu do Aljube – Resistência e Liberdade, com o propósito de tornar este espaço mais inclusivo, especialmente nas comemorações dos 50 anos do 25 de Abril.
Museu Nacional de História Natural e da Ciência e Jardim Botânico (Lisboa)
O MUHNAC – Museu Nacional de História Natural e da Ciência tem como prioridade garantir a acessibilidade e o conforto de todos os visitantes, independentemente das suas condições físicas, sensoriais, cognitivas, culturais ou sociais.
O museu oferece audioguias com gravações para visitas acessíveis e planeia expandir esses recursos a todas as exposições permanentes, incluindo narrativas bilíngues para facilitar a compreensão do público.
No Jardim Botânico de Lisboa, foi criado um Jardim Sensorial com estruturas que promovem a interpretação sensorial do espaço. Além disso, o MUHNAC disponibiliza visitas virtuais aos jardins e ao Laboratório Químico do século XIX, permitindo que as pessoas possam explorar estes patrimónios mesmo à distância.
O projeto Museus e Bem-estar visa incluir pessoas com transtornos mentais, como depressão e ansiedade, por meio de iniciativas de prescrição social voltadas para comunidades locais e estudantes da ULisboa.
Exemplos como estes demonstram o compromisso de várias regiões em Portugal de promover um turismo mais inclusivo e acessível.
Autores: Madalena Ló, Beatriz Caetano, David Caetano, João Francisco e Margarida Serra.