Revista Transportes e Acessibilidades
DEFCON poder
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QUE INCLUEM

Hoje em dia as pessoas com as mais variadas defi-ciências participam ativamente na sociedade – vão para o emprego, faculdade ou escola diariamente. Estas pessoas, tendencialmente, dependem de al-guém para as levar onde é necessário. Contudo, se os transportes públicos estivessem preparados ou adaptados para este tipo de situações, talvez as pes-soas com deficiência passassem a ser mais autóno-mas.
Tivemos oportunidade de ver nas páginas anteri-ores alguns exemplos de como está uma anostra do nosso País ao nível das adaptações de transportes públicos. Mas e os outros Países? Estarão mais avançados? Pesquisámos exemplos de Cidades Eu-ropeias que tenham rede de transportes públicos acessíveis.
Com recurso ao blog de uma pessoa com deficiência que escreveu o seu testemunho após viajar, encon-tramos o caso da Holanda, mais concretamente da cidade de Amesterdão, e da Alemanha, da cidade de Berlim. Em ambos os países, os transportes que es-tão adaptados são comboios, metros de superfície e autocarro.
A Comissão Europeia tem um Prémio de cidade acessível, que reconhece o esforço, capacidade e sucesso de uma cidade para garantir acessibilidades, de forma a garantir acesso igualitário aos direitos básicos e melhorar a qualidade de vida da popu-lação, garantindo que todos- independentemente da idade, mobilidade ou capacidade- têm acesso a todos os recursos que a cidade tem para oferecer.
Em 2016, o prémio de cidade acessível foi para Milão.
Em 2011, Milão adotou os princípios da Convenção dos Direitos de Pessoas com Deficiências e comprometeu-se a desenvolver uma nova cultura de acessibilidade e uma abordagem estratégica para desenvolver o conceito de “uma cidade para todos”. Em 2014, as linhas orientadoras para a adoção de um plano para eliminar barreiras foram adotadas para dar à cidade ferramentas estratégicas para planear, calendarizar e monitorizar as iniciativas de aces-sibilidade nos espaços públicos e edifícios. Os objetivos gerais do plano incluíam mapear todas as áreas que neces-sitavam de intervenções e definir o que tinha de ser feito, por quem e quanto iria custar. Foi essencial existir suporte de tecnologias de informação para monitorizar e avaliar cada medida e ter feedback imediato da sua efetividade. Foi criado um grupo de trabalho com representantes de todos os departamentos da cidade, coordenado por um departamento técnico. O programa foi desenhado em co-laboração com as Associações de pessoas com deficiência. As agências de Mobilidade e transportes começaram em 2011 a mapear a rede de transportes públicos e a acertar prioridades e exigências de acessibilidades com organi-zações de pessoas com deficiência. Azienda Trasporti Mil-anesi (ATM) gere os transportes públicos da região e usa os indicadores da “Full Handicap Compliance” (FHC) para medir as acessibilidades das linhas e rotas. Atualmente, as linhas mais modernas estão totalmente acessíveis e estão a trabalhar para melhorar os transportes que foram con-struídos em 1960.
Todos os dados de acessibilidade das infraestruturas dos transportes públicos estão disponíveis no site da empresa e há uma linha telefónica específica para oferecer aconsel-hamento e assistência. No site verifica-se que têm toda a informação disponível e inclusivamente informações es-pecíficas para a deficiência motora, auditiva e visual.

Em 2016, o segundo prémio foi para Wiesbaden, na Ale-manha e o terceiro prémio para Toulouse, em França. Não podemos ficar sem referir, que a Comissão Europeia ref-ere que Toulouse tem uma rede de transportes públicos totalmente acessíveis. Desde o final de 2014 que o aces-so aos transportes públicos principais estava totalmente acessível e começaram a trabalhar sobre os restantes. Todos os metros, comboios e autocarros têm rampas retrácteis e informação visual e sonora. 80% das paragens dos autocarros já estão acessíveis e o orçamento previsto permite concluir o trabalho. Foi essencial o trabalho com os funcionários dos transportes para trazer ao de cima atitudes e atenção, para que existisse uma verdadeira cul-tura de acessibilidade.
A Comissão Europeia refere que as autoridades locais têm um papel imperativo em melhorar as condições de vida da população. Ao partilhar experiências, espera-se que o sucesso de umas cidades possam ser uma inspiração para outras, permitindo melhores acessibilidades para que pessoas com deficiência possam fazer a sua vida diária de uma forma autónoma, como o resto da população. Quem sabe um dia será Almada ou Seixal a receber o Prémio de Cidade Acessível? Estamos todos a trabalhar nesse sentido! Um mundo adaptado e preparado é um mundo muito melhor!
Autor: Tiago Pedro


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