Revista Empregabilidade
DEFCON poder
DEFCON poder
Entrevista a Vera Oliveira Reis – Diretora Técnica do Centro de Reabilitação Profissional da Cercizimbra
Qual(ais) o(s) objetivo(s) e a(s) resposta(s) da Cercizimbra na promoção da inclusão laboral das pessoas com deficiência?
STIP – Serviço Técnico de Intervenção Precoce (Tutela Segurança Social) – Presta atendimento a famílias com crianças dos 0 aos 6 anos em situação de risco envolvimental, biológico ou de risco estabelecido. O STIP integra a Equipa Local de Intervenção (ELI) de Sesimbra, no âmbito do Sistema Nacional de Intervenção Precoce para a Infância.
CR – Creche (Tutela Segurança Social) – Atendimento a famílias e crianças, com ou sem necessidades educativas especiais, na faixa etária dos quatro meses aos trinta e seis meses.
PE – Pré-escolar (Tutela Educação) – Atendimento a famílias e crianças, com ou sem necessidades educativas especiais, na faixa etária dos três aos seis anos.
CAI – Centro de Animação para a Infância (Tutela Segurança Social) – Presta atendimento a crianças e jovens dos seis aos vinte e três anos, famílias e comunidade em geral. Desenvolve atividades lúdicas promotoras de desenvolvimento global; prevenção do absentismo escolar precoce; prevenção primária de comportamentos de risco, atividades e projetos específicos dirigidos à população infanto-juvenil nos seus espaços educativos, de lazer e residência.
CAO – Centro de Atividades Ocupacionais (Tutela Segurança Social) – Destina-se a jovens adultos com idades superiores a dezasseis anos, portadores de deficiência intelectual. O CAO tem como objetivo promover e maximizar o desenvolvimento da autonomia pessoal e social dos clientes, integrar e valorizar as suas competências através do desenvolvimento de atividades socialmente úteis, promover o seu bem-estar individual e a sua integração sociofamiliar e comunitária, respeitando as características e necessidades específicas de cada cliente.
CRI – Centro de Recursos para a Inclusão (Tutela Educação) – Trabalha em parceria com alguns agrupamentos de escolas do sistema regular de ensino, prestando apoio a alunos, docentes famílias a vários níveis: atividades terapêuticas, atividades oficinais, áreas de preparação para a transição da vida pós-escolar e apoios especializados.
CRPC – Centro de Reabilitação Profissional (Tutela Emprego e Formação Profissional) – Atendimento a pessoas com deficiência e incapacidade, residentes nos concelhos de Almada, Sesimbra e Seixal, visando a sua plena integração socioprofissional.
Lar Residencial I – (Tutela Segurança Social) – Equipamento com capacidade para cinco clientes, destinado a alojar jovens e adultos portadores de deficiência e/ou incapacidade, com idade superior a dezasseis anos, que se encontrem impedidos temporária ou definitivamente de residir no seu meio familiar normal.
Lar Residencial II – (Tutela Segurança Social) – Equipamento com capacidade para 14 clientes, destinado a alojar jovens e adultos portadores de deficiência e/ou incapacidade com atestado multiusos superiores a 60%, com idade superior a dezasseis anos, que se encontrem impedidos temporária ou definitivamente de residir no seu meio familiar normal.
RSI – Rendimento Social de Inserção (Tutela Segurança Social) – Constitui um mecanismo de combate à pobreza, tendo como principal objetivo assegurar aos cidadãos e aos seus agregados familiares recursos que contribuam para a satisfação das suas necessidades mínimas e paralelamente favorecer a progressiva inserção social, laboral e comunitária. A Cercizimbra participa neste programa como gestor da Equipa de Parcerias de Sesimbra, que tem como objetivo o acompanhamento psicossocial dos agregados familiares beneficiários de RSI, e como parceiro local integrando o Núcleo Local de Inserção Social (NLI), tendo este núcleo como principais objetivos, analisar o diagnóstico social realizado sobre os problemas que afetam as famílias beneficiárias do RSI, assim como dar prioridade à intervenção daí decorrente para que se possa compatibilizar, o mais adequadamente possível, os recursos existentes na comunidade com as necessidades das famílias.
Acima foram elencadas as respostas sociais (RS), respetivos objetivos e Tutelas. As questões da promoção da inclusão laboral estão mais centradas na RS centro de reabilitação profissional da Cercizimbra (CRPC).
Qual o público-alvo que atendem e qual tem sido a taxa de sucesso na inclusão no mercado de trabalho? Considera que os/as jovens ficam capacitados/as para a entrada no mercado de trabalho?
O CRPC atende pessoas com idade igual ou superior a 18 anos. Excecionalmente poderá atender pessoas com idade inferior a 18 anos, residentes nos concelhos de Sesimbra, Seixal, Almada e setúbal, com limitações ao nível das funções mentais globais e/ou específicas.
Ao longo dos anos temos verificado uma redução na taxa de empregabilidade dos nossos formandos/as. Atribuímos o facto às características do mercado de trabalho, à crise económica generalizada e às medidas promotoras de emprego por parte do IEFP pouco ajustadas às necessidades de empresas e formandos/as.
Consideramos que os nossos jovens ficam capacitados para integrar com sucesso o mercado de trabalho. Temos formadores e uma equipa técnica experiente e estável, intervimos de forma individualizada, procurando ir ao encontro das necessidades e potencialidades de cada um/a. Trabalhamos com parceiros que complementam a nossa intervenção…
Quais as estratégias para apoiar os/as formandos/as após colocação nos estágios?
O facto de não sermos centro de recursos impede o acompanhamento pós-colocação. Perante esta circunstância, temos que encaminhar os nossos jovens, via centro de emprego, para o centro de recursos (RUMO), apesar de ter sido a Cercizimbra a colocá-los em estágio e a fazer o respetivo acompanhamento.
Contudo, apesar desta formalidade os nossos jovens continuam a solicitar o nosso apoio pois os laços criados com a Cercizimbra, ao longo do processo formativo, não se quebram com a passagem para uma situação de “contratado/a”.
Qual/ quais têm sido as maiores dificuldades/ barreiras que têm encontrado e de que forma as têm tentado ultrapassar? Por outro lado, quais têm sido os aspetos positivos/ facilitadores que tem encontrado?
De forma sintética posso elencar as seguintes dificuldades:
De forma sintética posso elencar os seguintes aspetos positivos:
A Cercizimbra tem parcerias? Quais? Qual a importância dessas parcerias neste processo?
A Cercizimbra defende, o mais possível, o trabalho em rede. Só em conjunto, poderemos atingir os objetivos que nos propomos. A intervenção tem que ser transversal. Para isso contamos com parcerias na área da saúde, justiça, com as empresas, com os serviços de proximidade (centros de saúde, IPSS, …).
Qual/quais considera serem os aspetos mais urgentes a serem implementados/ trabalhados neste âmbito?
Eventualmente com as Tutelas. Sentimos, infelizmente, um certo distanciamento entre as necessidades da população que atendemos e as medidas de política que são implementadas.
No âmbito da promoção da empregabilidade, que conselhos daria a: pessoas com deficiência, famílias, instituições, instituições de ensino superior e empresas?
Resposta difícil… Às pessoas com deficiência diria, querer é poder… acredito que é sempre possível adequar um posto de trabalho ao perfil individual de cada um. Todos terão lugar no mercado de trabalho, como os devidos ajustes e adaptações. Tem é de haver empenho, compromisso, responsabilidade e querer, querer muito!
Às famílias diria, deixem os vossos educandos crescer… e procurem a melhor resposta formativa. A escola nem sempre é a melhor solução. A vida profissional pode ser a resposta mais ajustada.
Às empresas diria que vale a pena dar uma oportunidade a quem, muitas vezes pensamos que não é capaz. Há surpresas muito positivas e gratificantes!
Gostaria de acrescentar mais alguma informação tendo em conta a temática da revista?
Bem-haja pelo trabalho desenvolvido. O Centro de Reabilitação Profissional estará sempre disponível para colaborar.

Entrevista a Ana Cristina Ferreira – Coordenadora do Departamento de Educação Especial da Escola Secundária de Amora
Qual(ais) o(s) objetivo(s) e a(s) estratégia(s) implementada(s) pela escola na promoção de competência(s) e medida(s) promotoras da transição para a vida ativa das pessoas com deficiência?
Os objectivos destinados a promover a transição para a vida pós-escolar e, sempre que possível, para o exercício de uma actividade profissional, estabelecendo os procedimentos necessários para a sua implementação e eficácia, orientam-se pelos princípios da educabilidade universal, da equidade, da inclusão, da flexibilidade e da autodeterminação, desenvolvendo sistematicamente ações que visão um maior envolvimento, com entidades da comunidade participativas no desenvolvimento da escola.
A escola estabelece parcerias neste âmbito? Quais? Qual a importância dessas parcerias neste processo?
A escola estabelece parcerias com várias entidades, nomeadamente, Junta de Freguesia de Amora, Câmara Municipal do Seixal e AURPIA, sendo estas entidades promotoras do desenvolvimento de um conjunto de competências fundamentais para a futura integração destes jovens no mercado de trabalho.
E, relativamente aos estágios realizados pelos alunos, como avalia o sucesso dos/as jovens com deficiência no e depois do estágio?
O sucesso está sempre presente durante e no pós estágio, uma vez que este é concebido e delineado tendo em conta o perfil de aprendizagem de cada um dos nossos alunos apostando na diversidade de estratégias para ultrapassar todas e quaisquer dificuldades, de modo a assegurar que cada aluno tenha acesso ao conhecimento e às aprendizagens, levando todos e cada um ao limite das suas potencialidades.
Qual a importância do papel da família neste processo?
Os papeis dos pais e/ou encarregados de educação são fundamentais em todo o processo, quer seja no reconhecimento de um conjunto de direitos e deveres conducentes ao seu envolvimento em todos o processo educativo do seu educando, quer no desenvolvimento sistemático de ações que visam sempre um maior envolvimento dos mesmos. Colaborei e reuni frequentemente com encarregados de educação no sentido de encontrar as melhores respostas educativas para todos os alunos, de forma a criar-lhes um projeto educacional adequado ao seu perfil de aprendizagem, valorizando sempre as potencialidades de cada um.
E, após a escola, qual tem sido o percurso do(s) vosso(s) jovem/jovens? Qual a estratégia da Escola para apoiar os/as jovens na transição para o mercado de trabalho?
Após a conclusão do ensino secundário, os jovens são encaminhados para cursos de formação profissional de acordo com as suas expectativas futuras e potencialidades, tendo este encaminhamento sido antecedido pela exploração de um conjunto de possibilidades, através da recolha de informação acerca dos vários cursos e exigências profissionais, procurando aprofundar o conhecimento do leque de cursos e profissões que se relacionem com as suas características específicas e interesses.
No âmbito da promoção da transição para a vida ativa, qual/ quais têm sido as maiores dificuldades/ barreiras que têm encontrado e de que forma as têm tentado ultrapassar? Por outro lado, quais têm sido os aspetos positivos/ facilitadores que têm encontrado?
As dificuldades prendem-se com o facto de existirem um número insuficiente de parcerias face ao número de alunos que necessitam deste encaminhamento, uma vez que ainda é difícil encontrar disponibilidade na sociedade para a aceitação destes jovens.
Os aspectos positivos relacionam-se com os resultados obtidos por estes alunos em contexto de estágio.
Qual/quais considera serem os aspetos mais urgentes a serem implementados/ trabalhados neste âmbito?
Uma maior abertura por parte da sociedade em aceitar estes jovens como seres competentes e capazes de desenvolveram uma actividade profissional com tanta eficiência como qualquer outro.
No âmbito da promoção da empregabilidade, que conselhos daria a: pessoas com deficiência, famílias, instituições e instituições de ensino superior? E para as empresas?
Tal como referi anteriormente, a aceitação, por parte da sociedade. Em vez de olharmos para estes jovens como frágeis, olhar para os mesmos observando todas as suas potencialidades.
Gostaria de acrescentar mais alguma informação tendo em conta a temática da revista?
É imperativo que a escola e a sociedade em geral, dê resposta a todas as crianças, numa perspetiva de inclusão: acesso, participação e sucesso. Por todas as crianças entende-se todas as crianças e jovens que precisam e necessitam obter formação e educação de acordo com as suas necessidades específicas de aprendizagem. Como dizia o poeta Carlos Drummond de Andrade “Ninguém é igual a ninguém. Todo o ser humano é um estranho ímpar” e é na aceitação de que cada um é diferente de cada qual que reside o respeito pela condição humana. Na educação, essa aceitação traduz-se na inclusão, que tem como função atender todas as crianças e jovens, criando assim uma escola de todos e para cada um. Muitas crianças e jovens por nascerem e crescerem em contextos menos favoráveis, apenas têm a escola como a oportunidade para realizarem e alterarem o seu projeto de vida, e assim, catapultarem social e economicamente, através da formação que irão receber. A educação é um direito de todos e tem como funções o combate à exclusão social, a promoção da igualdade, o qualificar todos os indivíduos para a participação efetiva na sociedade, contribuir para o progresso social, económico e cultural, implementar a tolerância e cooperação, para que possamos todos viver num mundo mais civilizado e equitativo. É nesta conceção de educação que se engloba a educação inclusiva, que tem como objetivo fundamental a eliminação de barreiras que impeçam o acesso e o sucesso educativo, nomeadamente a populações mais discriminadas, respeitando a diversidade, as diferentes necessidades e o know-how de cada um. É nesta perspetiva que conduzimos todos o nosso trabalho.
Autores: Odair Alves e Rodrigo Celestino

Revista DEFCON Poder da APCAS-Associação de Paralisia Cerebral de Almada Seixal, cofinanciada pelo Programa de Financiamento a Projetos do Instituto Nacional para a Reabilitação!
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